Autoridades repercutem vídeo de reunião ministerial


Pietra Carvalho da CNN, em São Paulo
22 de maio de 2020 às 19:47 | Atualizado 22 de maio de 2020 às 23:01
Ricardo Salles

Após divulgação do vídeo, ministro Ricardo Salles defendeu que suas falas sobre a Amazônia estavam "dentro da lei

Foto: Marcos Corrêa/PR

Autoridades reagiram à divulgação da reunião ministerial de 22 de abril com o presidente da República, Jair Bolsonaro, pelo Supremo Tribunal Federal (STF) nesta sexta-feira (22). 

Um dos protagonistas das imagens, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, escreveu que "sempre defendeu desburocratizar e simplificar normas" com "bom senso" e "dentro da lei" como justificativa a sua sugestão exposta no vídeo de "aproveitar que a imprensa está de olho na Covid para mudar a legislação" sobre a Amazônia. 

 

 

 

 

 

Um dos governadores xingados pelo presidente durante o encontro, o paulista João Doria (PSDB) se pronunciou em seu perfil no Twitter no início da noite desta sexta. O político do PSDB afirmou que os "palavrões, ofensas e ataques" direcionados a autoridades dos três poderes "demonstram descaso com a democracia." 

Assista à integra do vídeo da reunião ministerial de Bolsonaro

"Lamentável exemplo em meio a maior crise de saúde da história do país e diante de milhares de vítimas", completou Doria, poucos minutos depois do balanço do Ministério da Saúde, em que o Brasil ultrapassou a Rússia no segundo lugar do ranking de países com mais infectados pelo novo coronavírus. 

Outro dos governadores diretamente mencionados, Wilson Witzel (PSC), do Rio de Janeiro, "a falta de respeito de Bolsonaro pelos poderes atinge a honra de todos. Sinto na pele seu desapreço pela independência dos poderes". O governador do Rio retomou a reunião acontecida nesta quinta-feira (21), em que Bolsonaro teve uma discussão considerada positiva pelos executivos estaduais.

Já o governador Flavio Dino, do PCdoB do Maranhão, fez críticas diretas ao conteúdo da reunião ministerial, afirmando que ela revela "um repertório inacreditável de crimes, quebras de decoro e infrações administrativas." 

Entre os membros da oposição ao governo federal, o ex-prefeito Fernando Haddad (PT), rival de Bolsonaro nas eleições de 2018, e Guilherme Boulos, que também concorreu à presidência, definiram as falas como inapropriadas para um chefe de Estado.

Haddad destacou que Jair Bolsonaro se referiu a um investigado pela Polícia Federal como "amigo", argumentando que isso desmente que a preocupação da autoridade era a segurança de sua família. 

O líder da oposição no Senado, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), disse à CNN nesta sexta-feira (22) que ao assistir o vídeo da reunião ministerial de 22 de abril com o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), ficou claro e comprovado que ele incorreu em crime de obstrução de Justiça e quis interferir na Polícia Federal.

Também em entrevista à CNN, o ex-presidente Michel Temer (MDB) afirmou que é cedo para dizer saber se o procurador-geral da República, Augusto Aras, vá ou não denunciar o presidente Jair Bolsonaro, uma vez que não foram colhidas todas as provas e depoimentos necessários. Temer, que teve duas denúncias contra si rejeitadas pela Câmara dos Deputados, fez um contraponto ao sucessor, ao elogiar o trabalho do ministro Celso de Mello, do STF, na condução do inquérito.

Temer lamentou que a divulgação do vídeo tenha acontecido após a citada reunião entre o presidente Jair Bolsonaro e os governadores dos estados e afirmou esperar que o conteúdo não altere o cenário das relações que estava posto ontem.

O assessor da Presidência para assuntos internacionais, Filipe Martins, elogiou o conteúdo das conversas, apesar das falas polêmicas do ministro da Economia, Paulo Guedes, sobre a necessidade de "aturar" a China.

Para o assessor, a reunião mostra que o presidente se reúne com ministros para atender "demandas" do povo brasileiro. 

 

O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Jorge de Oliveira Francisco, que também atua como subchefe de assuntos jurídicos de Bolsonaro, afirmou que as falas do presidente não tem "nexo com o inquérito" sobre sua intervenção na Polícia Federal. 

O prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto se manifestou através de nota

Os insultos do presidente Bolsonaro, dirigidos a mim e a outros homens públicos, representam um verdadeiro “strip-tease moral” feito por quem não tem a mais mínima condição de governar o Brasil.

Transforma a solenidade de uma reunião de Ministério em uma conversa de malandros de esquina. Quebra a liturgia do cargo. Vulgariza a instituição que deveria saber honrar. Exibe despreparo e me põe a questionar todos os presentes: como um ministro pode, sem se desmoralizar, conviver com uma pessoa dessa baixa extração? Que tempos! Que costumes.

Nosso povo merece acatamento e não a submissão a uma liderança do submundo das “rachadinhas” e das milícias, do submundo da ditadura e das torturas.

O presidente da República, em seu criminoso boicote ao isolamento social, em seu desprezo aos indígenas, em seu apreço a garimpeiros que poluem rios, sonegam impostos e invadem áreas indígenas, é claramente cúmplice de tantas mortes causadas pelo Covid 19. Trata-se de um ser despreparado, inculto e deseducado.

Não gosta de mim? Que bom. Sinal de que estou no lado certo da vida. Também não gosto da ditadura que já nos massacrou e que ele gostaria de reviver. Daqui a pouco mais de dois anos, o país estará livre de tão diminuta e mesquinha figura.