Ao lado de Doria, Maia oferece apoio à Coronavac e defende diálogo com Bolsonaro

Presidente da Câmara participou de coletiva do governo de São Paulo e disse que é preciso 'o bom diálogo' para construir solução a favor das vacinas

Murillo Ferrari, da CNN, em São Paulo
23 de outubro de 2020 às 13:12 | Atualizado 23 de outubro de 2020 às 15:33

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), compareceu nesta sexta-feira (23) a uma coletiva ao lado do governador de São Paulo, João Doria (PSDB), no Palácio dos Bandeirantes, em que ofereceu apoio da Casa à vacina Coronavac, desenvolvida pela chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan. Ele também defendeu diálogo com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para "construir uma solução" favorável ao imunizante e a qualquer outra vacina contra o novo coronavírus.

O gesto vem após um impasse entre os governos federal e de São Paulo e federal em torno da assinatura de um acordo de intenção de compra da vacina quando esta estiver disponível — Bolsonaro afirmou que o governo federal não comprará o imunizante. 

"Tenho certeza que com os testes da vacina do Instituto Butantan, quando estiver aprovada e autorizada pela Anvisa, que a gente consiguirá com diálogo com o presidente da República, com o ministro da Saúde, com o Congresso, autorizar não apenas essa vacina para os brasileiros, mas todas que forem aprovadas", disse Maia.

"A vacina é fundamental. O senhor pode contar com a Câmara para que a gente possa, com diálogo com o governo – temos duas MPs que precisam ser votadas –, restabelecer o bom diálogo", prosseguiu o presidente da Câmara, dirigindo-se a Doria.

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Confiança na Anvisa

Falando antes de Maia, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), disse ter certeza que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) manterá sua autonomia e independência ao avaliar as informações para ao registro da Coronavac fornecidos pelo governo paulista.

"O corpo técnico e o presidente da Anvisa afirmaram a mim, a dois parlamentares da Câmara Federal, a dois parlamentares do Senado Federal, a secretários de estado de São Paulo e ao Dimas Covas, que a Anvisa não vai se submeter a nenhum tipo de pressão ou orientação do Palácio do Planalto, ou qualquer tipo de pressão de ordem ideológica, política, partidária ou eleitoral", afirmou Doria.

Rodrigo Maia e João Doria
O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), seguram embalagem da Coronavac
Foto: Governo de SP

O governador defendeu o papel das agências reguladoras independentes em governos liberais para "regular o mercado e a defender o cidadão".  "No momento em que tivermos uma agência de vigilância sanitária rompendo seu compromisso com a ciência, a vida e sua independência, isso pode representar o caos para um país vivendo uma pandemia, como o Brasil", disse.

O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, afirmou que recebeu uma sinalização de que em até cinco dias úteis a Anvisa emitirá o certificado para a importação da matéria-prima para a produção da vacina. Na quinta, Covas relatou que a agência estava atrasando esta autorização.

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Entenda

Na segunda-feira (19), por meio de um ofício enviado pelo ministro Eduardo Pazuello a Dimas Covas, diretor-geral do Instituto Butantan, o Ministério da Saúde havia formalizado sua intenção de comprar 46 milhões de doses da vacina Coronavac.

Na terça-feira (20), após reunião com governadores, o ministério definiu a compra das doses da Coronavac. A decisão foi anunciada depois que técnicos do Butantan viajaram a Brasília para apresentar ao ministério informações sobre o imunizante.

Na manhã de quarta-feira (21), o presidente Bolsonaro afirmou a apoiadores, em comentários em sua conta no Facebook, que não compraria a vacina.