Brasil lidera número de mortes diárias por Covid-19 no mundo em março

País superou total de óbitos registrados no maior continente do mundo, a Ásia; em relação ao tamanho população, República Checa e Polônia lideram

Lápides e mausoléus de cemitério nos Estados Unidos
Lápides e mausoléus de cemitério nos Estados Unidos Foto: Victoria Kure-Wu via Unsplash

Weslley Galzo, da CNN, em São Paulo

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O Brasil vive seu período mais mortal desde o início da pandemia com recordes sucessivos do número de mortes e de casos de Covid-19. Com isso, assumiu neste mês a liderança global do ranking de países com mais mortes diárias pelo coronavírus.

Neste período, o Brasil superou o total de óbitos registrados no maior continente do mundo, a Ásia. É o que aponta o levantamento feito pela CNN com base nos dados da plataforma “Our World in Data”, ligada à Universidade de Oxford.

Com as 1.660 vidas perdidas para o novo coronavírus no segunda-feira (29), que elevou a média de mortes ao recorde de 2.634 óbitos por semana, o Brasil atingiu 58.924 mortes somente no mês de março, mais do que o dobro de mortes registradas na Ásia no mesmo período, quando 26.625 pessoas morreram no continente mais populoso do mundo.

Ainda na comparação internacional, o Brasil registrou mais mortes do que os três países que formam a América do Norte (54.838 óbitos).

Para superar o número total de mortes contabilizadas no Brasil em março, é preciso somar todos os mortos por Covid-19 na Rússia, Itália, França, Polônia, Ucrânia, Espanha, Alemanha e República Checa. Oito destes países fecham a lista dos 11 territórios onde há mais mortes por Covid-19, e, juntos, somam 63.150 óbitos.

Os Estados Unidos, segundo colocado no ranking internacional de mortes por Covid-19, teve quase 22 mil mortes a menos do que o Brasil. Até o dia 29 do mês março morreram 35.919 norte-americanos por causa do doença.

Em março, a taxa de mortalidade no Brasil foi de 26,89 mortes por Covid-19 a cada grupo de 100 mil habitantes. Os Estados Unidos, por sua vez, tem taxa quase três vezes menor do que o Brasil, com 10,63 mortes a cada 100 mil habitantes.

Quando a comparação considera o tamanho da população, a situação de países como República Checa e Polônia é ainda mais grave do que a do Brasil. Os dois países — com populações de 10,7 milhões e 9,6 milhões de habitantes, respectivamente — ultrapassam 53 mortos por 100 mil habitantes. 

Confira a lista dos 20 países com mais mortes diárias por Covid-19 no mês de março:

  1. Brasil: 58.924 mortes / Média de mortes diárias: 2.031
  2. Estados Unidos: 35.919 mortes / Média de mortes diárias: 1.238
  3. México: 16.117 mortes / Média de mortes diárias: 555
  4. Rússia: 11.713 mortes / Média de mortes diárias: 403
  5. Itália: 10.651 mortes / Média de mortes diárias: 367
  6. França: 8.534 mortes / Média de mortes diárias: 294
  7. Polônia: 8.163 mortes / Média de mortes diárias: 281
  8. Ucrânia: 6.348 mortes / Média de mortes diárias: 218
  9. Espanha: 6.057 mortes / Média de mortes diárias: 208
  10. Alemanha: 5.987 mortes / Média de mortes diárias: 206
  11. República Tcheca: 5.697 mortes / Média de mortes diárias: 196
  12. Peru: 5.336 mortes / Média de mortes diárias: 184
  13. Hungria: 5.187 mortes / Média de mortes diárias: 178
  14. Índia: 4.957 mortes / Média de mortes diárias: 170
  15. Indonésia: 4.415 mortes / Média de mortes diárias: 152
  16. Reino Unidos: 3.774 mortes / Média de mortes diárias: 130
  17. Argentina: 3.646 mortes / Média de mortes diárias: 125
  18. Colômbia: 3.313 mortes / Média de mortes diárias: 114
  19. Romênia: 2.774 mortes / Média de mortes diárias: 95
  20. África do Sul: 2.717 mortes / Média de mortes diárias: 93

Medidas contra a pandemia

Em entrevista à CNN nesta segunda-feira (29), o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, reafirmou a sua posição contra a adoção de um lockdown nacional para frear o contágio pelo novo coronavírus no país, mas destacou que “medidas mais extremas devem ser adotadas de forma localizada”.

“O erro é achar que um lockdown nacional sem que se faça a lição de casa antes seja a solução dos problemas”, afirmou. “O sistema de saúde é tripartite, medidas mais extremas precisam ser tomadas de forma localizada”.

Com o lockdown fora do escopo de ações de enfrentamento à Covid-19, o governo federal aposta na ampliação e aceleração da campanha de vacinação definida pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI). 

Na entrevista, Queiroga reforçou o compromisso do Ministério da Saúde em alcançar a meta de 1 milhão de pessoas vacinadas por dia no país e disse discutir com os membros da pasta a priorização da vacinação de professores e agentes de segurança pública, além dos grupos já listados como prioritários.

Levantamento feito pela CNN com base nas secretarias estaduais que divulgaram o balanço preliminar da vacinação aponta para 20.036.585 doses da vacina contra a Covid-19 aplicadas em todo o território nacional, o equivalente 9,73% da população brasileira tendo recebido pelo menos uma dose do imunizante.

Especialistas apontam que a imunidade coletiva de um país é alcançada com números entre 70% e 85% da população vacinada. Segundo o microbiologista Luiz Gustavo de Almeida, da Universidade de São Paulo (USP), o Brasil pode levar até 4 anos para alcançar os índices de vacinação desejados, caso siga no mesmo ritmo de hoje.

(Com informações de Igor Gadelha e Renata Souza)

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