Saiba o que fazer se você testou positivo para Covid-19 após festas de fim de ano

Orientações de autoridades sanitárias incluem isolamento, atenção aos sintomas e ao calendário de vacinação

Uso de máscaras previne a infecção pelo novo coronavírus
Uso de máscaras previne a infecção pelo novo coronavírus Cassiano Psomas/Unsplash

Jen Christensenda CNN

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Se você se testou positivo para a Covid-19 após as festas de fim de ano – e com a variante Ômicron altamente contagiosa em circulação – você pode estar se perguntando quais devem ser seus próximos passos.

Aqui estão algumas dicas do que os especialistas dizem que você deve saber.

Testei positivo, mas me sinto bem. Ainda devo isolar?

A resposta simples é seguir as diretrizes dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC), disse Graham Snyder, diretor médico de prevenção de infecções e epidemiologia hospitalar do Centro Médico da Universidade de Pittsburgh.

“Eles basearam essas diretrizes em dois anos de observações sobre o que significa ser contagioso”, disse Snyder.

A orientação do CDC mudou nos últimos dias de dezembro. Agora, as pessoas com teste positivo para a Covid-19 devem se isolar por cinco dias. Depois disso, se não apresentarem sintomas ou se os sintomas estiverem passando – como ficar sem febre por 24 horas sem tomar medicamentos para baixar a febre – devem seguir com cinco dias de uso de máscara perto de outras pessoas.

O CDC afirma que é opcional fazer um teste de antígeno no dia 5. Se for positivo, você deve ficar isolado até o dia 10 (veja as recomendações do Ministério da Saúde brasileiro na galeria abaixo).

Isso deve minimizar o risco de propagação do vírus. A probabilidade de alguém ser contagioso após 10 dias é pequena se os sintomas melhorarem e a febre desaparecer, dizem os especialistas.

“Se você teve a infecção e está se sentindo bem e vários dias se passaram, as chances são muito grandes de que você não esteja contagioso”, disse Myron Cohen, diretor de saúde global e doenças infecciosas da Escola de Medicina UNC.

Se você e as pessoas ao seu redor usam máscaras, você está tomando as precauções adequadas de qualquer maneira, disse ele.

“Você não sabe quem em seu universo é infeccioso”, disse Cohen. Só porque alguém teve Covid-19 há cinco dias, não significa que essa pessoa deva ser considerada mais perigosa. “E a pessoa ao seu lado que nunca foi testada, é assintomático e tem mais cópias [do vírus] do que eu? Devíamos agir como se presumíssemos que todo mundo tem Covid”.

Agora estou menos propenso a ter Covid-19 novamente?

A infecção fornece alguma imunidade natural ao coronavírus, mas não é tão simples. “Muitas vezes falamos sobre imunidade a este vírus como se fosse um sim ou não. Ou você está imune ou não. Mas a Mãe Natureza raramente opera assim”, disse o especialista.

O entendimento da imunidade é contínuo. O que significa que isso pode mudar com o tempo. A Covid-19 não é como a catapora, por exemplo. “Na catapora, você não vai pegar o vírus de novo, mas isso é, você sabe, um outro patamar de imunidade”, disse Cohen.

O pesquisador David Wohl, professor de medicina da Divisão de Doenças Infecciosas da Escola de Medicina da UNC, disse que seu corpo será capaz de lutar melhor contra o coronavírus após uma infecção, mas isso não garante que você não poderá ter a infecção novamente.

“Eu gostaria que você pudesse dizer, uma vez que você pegar Covid, você nunca mais vai pegá-la. Este não é esse tipo de vírus”, disse ele. “Então, sabemos que com os dados de reinfecção, você não fica imune ao vírus só porque teve uma infecção anterior. Há algumas doenças que você pega apenas uma vez, mas a Covid-19 é uma daquelas que, sim, você pode pegar mais de uma vez”.

De certa forma, uma pessoa pode estar “mais segura” após contrair Covid-19 porque é menos provável que adoeça gravemente em uma infecção subsequente, disse Sten Vermund, reitor e professor de saúde pública na Escola de Medicina de Yale. “Eles também são menos propensos a ter uma carga viral alta se contraírem uma infecção subsequente. Portanto, nesse sentido, eles estão um pouco mais seguros”.

Mas os especialistas recomendam precauções. “Eu não diria que ninguém deveria se sentir confortável, se já teve uma infecção, que pode sair correndo sentindo que está imune a uma reinfecção ou complicações”, disse Snyder. “Oferece alguma proteção. Eu não confiaria nela para proteção de 100%”.

Em algum ponto, disse Wohl, esse coronavírus pode ser mais parecido com o resfriado comum – outro coronavírus – e as pessoas vão pegá-lo a cada poucos anos, mas pode não ser tão sério e haverá tratamentos de fácil acesso. Mas esses dias ainda não chegaram.

Ficar doente por uma variante oferece proteção contra outra?

Depois de qualquer doença por Covid-19, seu corpo geralmente é capaz de detectar o coronavírus.

“Não importa qual variante, seu corpo agora é mais capaz de reconhecer o vírus no futuro. É mais forte, está mais bem preparado”, disse Snyder. Mas exatamente o quão preparado não está muito claro.

As variantes Delta e Ômicron estavam em circulação na época das festas de fim de ano. Pegar uma delas ainda pode te deixar vulnerável à outro.

“O grau de proteção cruzada da Delta e da Ômicron ainda não é muito conhecido”, disse Cohen. “É uma resposta complicada em geral, mas para uma resposta simplista, a resposta é, ter uma infecção natural fornece alguma imunidade e provavelmente fornece alguma imunidade cruzada, mas a magnitude da imunidade cruzada não é conhecida”.

No mês passado, um pequeno estudo analisando o sangue coletado de pessoas infectadas com Ômicron na África do Sul mostrou que elas têm fortes respostas imunológicas à Ômicron – mas também reforçaram as respostas imunológicas à variante Delta, relataram os pesquisadores.

O estudo é limitado e não foi revisado por pares, e não há certeza de que foi a infecção pela Ômicron que aumentou a imunidade no sangue dos voluntários, observaram os pesquisadores.

Se a infecção pela Ômicron torna as pessoas menos suscetíveis às infecções Delta, isso pode ser uma coisa boa, observaram os pesquisadores. “Nesse caso, a incidência da doença grave de Covid-19 seria reduzida e a infecção pode mudar para se tornar menos prejudicial para os indivíduos e a sociedade”, escreveram Alex Sigal e Khadija Khan do Instituto de Pesquisa de Saúde da África em Durban, África do Sul, em um relatório.

Mas lembre-se, não há como dizer quais outras variantes podem surgir após essas, ou quão diferentes elas podem ser da Delta ou da Ômicron.

E se eu ficar doente, mas não tiver sido vacinado ou recebido reforço? Eu ainda preciso vacinar?

Os especialistas dizem que sim. Com este coronavírus específico, sua resposta imunológica é melhor com uma vacina do que com uma infecção natural, disse Vermund. Não está totalmente claro o porquê.

Estudos sobre a reinfecção de Covid-19 mostram que isso é verdade. A reinfecção foi mais comum em quem tinha imunidade natural do que em quem foi vacinado.

“As chances são muito menores se você recebeu uma vacina – nem mesmo com reforço, apenas esquema inicial – de ser reinfectado em comparação com se você não tivesse sido vacinado e infectado antes”, disse Wohl.

Wohl aponta para um estudo feito em setembro pelo Departamento de Saúde e Serviços Humanos da Carolina do Norte, que documentou cerca de 11 mil reinfecções. Destes, apenas 200 casos ocorreram em pessoas vacinadas.

“Nós encorajamos qualquer pessoa que já teve infecção a se vacinar porque a vacinação ajuda o corpo a se preparar, produzindo um conjunto mais robusto de anticorpos”, disse Snyder. “Eles se ligam mais fortemente e, especialmente os reforços são amplificados. Eles são capazes de reconhecer as diferenças no vírus”.

Após a vacinação, qualquer reinfecção provavelmente produziria uma doença muito menos grave.

E se recebesse o reforço e, em seguida, tivesse Covid-19?

Se você teve uma infecção inicial, seu sistema imunológico está bem preparado e pronto para lutar contra o coronavírus quando ele o encontrar novamente, disse Wohl. Seu corpo deve estar melhor preparado se você encontrar a Ômicron novamente, mas não há garantia absoluta de que você estará protegido se, por exemplo, você entrar em uma multidão em um show sem usar máscara.

“Estamos no meio da emergência de novas ondas. Este é o pior momento para estar sem máscara e perto do nariz e da garganta de outras pessoas”, disse Wohl.

Além disso, novamente, você não pode ter certeza de que o vírus com o qual entrou em contato será da mesma variante que você pegou antes.

“O motivo pelo qual a pessoa que teve Covid e tomou o reforço ainda deve usar o bom senso é porque ainda não entendemos quais outras variantes estarão por aí e como as pessoas reagirão a elas”, disse Cohen.

Posso ter Covid longa depois da Ômicron? Ou meus filhos poderiam ter Síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica?

A variante Ômicron é muito nova para que os especialistas saibam algo sobre seus efeitos de longo prazo.

“Não sabemos ainda”, disse Snyder. “É muito cedo para saber.”

A pesquisa revelou que a vacinação reduz o risco de sintomas de Covid-19 a longo prazo. E outros estudos dizem que os efeitos mais graves de uma complicação de pela infecção, chamada síndrome inflamatória multissistêmica em crianças (MIS-C), se resolvem em seis meses.

Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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