Uso de máscaras nas escolas ajuda a prevenir surtos de Covid-19, segundo estudos

As máscaras podem tornar o ambiente escolar mais seguro, de acordo com pesquisas do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC)

Atividades escolares durante a pandemia de Covid-19 na cidade de Jundiaí (SP)
Atividades escolares durante a pandemia de Covid-19 na cidade de Jundiaí (SP) Pedro Amora/Prefeitura de Jundiaí

Deidre McPhillipsda CNN

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Os surtos de Covid-19 são muito mais prováveis em escolas que não exigem que os alunos e funcionários usem máscaras. Os dados são do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC).

Dois estudos divulgados na sexta-feira (24) apoiam a recomendação da agência para o uso amplo de máscaras nas escolas.

Um estudo no estado do Arizona mostrou que escolas sem requisitos de máscaras tinham cerca de 3,5 vezes mais probabilidade de ter um surto de Covid-19 do que escolas que exigiam o uso das máscaras.

Um segundo estudo mostrou que condados nos Estados Unidos, onde as escolas exigiam o uso de máscara, também tinham menos transmissão do vírus na comunidade em geral.

Para o primeiro estudo, os pesquisadores analisaram dados cobrindo cerca de mil escolas de ensinos primário e secundário nos condados de Maricopa e Pima, no Arizona, que abrigam mais de três quartos da população do estado.

Uma escola foi considerada com requisito de uso de máscaras se todas as pessoas – incluindo alunos, funcionários, professores e visitantes – fossem obrigados a usar o item de proteção em ambientes fechados, independentemente do estado de vacinação. Uma escola foi considerada com surto se houvesse dois ou mais casos reportados entre alunos ou funcionários em um período de 14 dias, começando uma semana após o início das aulas.

De meados de julho até o final de agosto, ocorreram 191 surtos associados a escolas, de acordo com o CDC. As escolas com obrigatoriedade universal de máscaras em vigor no início das atividades representaram cerca de 31% do conjunto de instituições analisadas, mas apenas cerca de 8% dos surtos.

Enquanto isso, as escolas sem exigência de máscaras foram responsáveis por 59% desses surtos, mas menos da metade (48%) do conjunto total de escolas analisadas.

No início de agosto, o CDC ajustou as recomendações de máscaras nas escolas para incluir todos, independentemente do status de vacinação, devido à prevalência da variante Delta, altamente contagiosa.

“Eu diria que os dados realmente mostram que o uso de máscaras diminui os surtos nas escolas”, disse a diretora do CDC, Rochelle Walensky, na segunda-feira (20). “Portanto, com o propósito de manter nossos filhos na escola, colocá-los na escola, mantê-los seguros, as máscaras realmente são o caminho a percorrer”.

Ampla proteção

Outro estudo do CDC publicado na sexta-feira sugere que os efeitos das políticas de máscaras nas escolas também parecem se estender além das paredes das salas de aula.

O estudo descobriu que as taxas de casos entre crianças aumentaram mais em condados onde as escolas não tinham requisitos de máscara do que em condados onde as escolas exigiam o uso universal.

Entre a semana antes do início das aulas e a semana após o início das atividades, as taxas de casos pediátricos aumentaram mais do que o dobro em condados sem requisitos de máscara escolar do que em condados com a medida em vigor.

Os condados sem requisitos de máscara escolar adicionaram uma média de cerca de 35 novos casos pediátricos por 100 mil crianças a cada dia ao longo desse período de duas semanas, em comparação com um crescimento de cerca de 16 novos casos pediátricos por 100 mil crianças a cada dia em condados com a exigência da proteção facial.

Para este estudo, o CDC analisou as taxas de casos pediátricos em cerca de 500 condados nos quais os requisitos de máscara eram consistentes para todas as escolas e eram aplicáveis em uma de duas formas: ​​a todos os alunos ou a nenhum aluno. Os resultados foram ajustados para controlar as taxas de vacinação pediátrica no nível municipal, mas não para as taxas de vacinação entre professores ou dados de testes escolares. Os dados de vacinação não estão disponíveis no nível escolar.

O CDC enfatiza a importância de “estratégias de prevenção em camadas” – incluindo vacinação, testes, ventilação aprimorada e distanciamento físico junto com o uso de máscaras – para interromper a disseminação da Covid-19 e criar ambientes escolares seguros com o mínimo de interrupções.

Um terceiro estudo, publicado pelo CDC na sexta-feira, revelou que 96% das escolas de ensinos primário e secundário no país estão totalmente abertas para o aprendizado presencial. Porém, mais de 900 mil alunos e quase 60 mil professores foram afetados pelos fechamentos relacionados aos surtos da Covid-19 entre agosto e meados de setembro. Os fechamentos afetaram escolas em 44 estados e a maioria no Sul.

Nas últimas semanas, crianças de 5 anos ou mais tiveram taxas de casos de Covid-19 mais altas do que qualquer outra faixa etária, de acordo com dados do CDC. Adolescentes de 12 a 17 anos também têm as taxas de vacinação mais baixas de qualquer faixa etária nos Estados Unidos. Crianças menores de 12 anos ainda não são elegíveis para serem vacinadas contra Covid-19 no país.

O pesquisador Scott Gottlieb, ex-comissário da Food and Drug Administration (órgão semelhante à Anvisa no Brasil) e membro do conselho da Pfizer, disse que ainda não é hora de tornar as máscaras opcionais nas escolas.

“Acho que teremos que chegar a um ponto em que as vacinas estejam amplamente disponíveis nas escolas”, disse ele à CNN internacional na quinta-feira (23). “As escolas não são ambientes inerentemente seguros, mas podem se tornar mais seguros tomando as devidas precauções. As máscaras são certamente uma ferramenta”.

Este é um texto traduzido, clique aqui para ler o original em inglês.

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