Dia Mundial do Café: conheça hábitos dos brasileiros diante da xícara
Pesquisa da Abic mostra queda no consumo de café em 2025, enquanto cresce a valorização da bebida e do bem-estar associado a ela

O consumo diário de café entre os brasileiros caiu em 2025, segundo a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic). Enquanto 29% dos brasileiros tomaram mais de seis xícaras diárias da bebida em 2023, o número caiu para 26% no ano passado.
Os dados são da pesquisa "Evolução dos Hábitos e Preferências dos Consumidores de Café no Brasil”, da Abic, divulgada em setembro passado. Entre três e cinco xícaras, o número também recuou de 46% para 44% no mesmo período. Além disso, 24% dos entrevistados afirmaram ter reduzido o consumo de café em 2025.
O levantamento ainda revelou que, entre os critérios de escolha — se compram a marca mais barata ou se compram a marca que preferem, independentemente do preço, por exemplo — os consumidores costumam priorizar o melhor preço do café.
Ao todo, 4.200 pessoas foram entrevistadas, divididas por gênero, faixa etária, classe social e regiões geográficas, com predominância de mulheres, pessoas entre 25 e 39 anos, indivíduos das classes D e E e da região Sudeste.
Ritual e bem-estar

Contudo, é interessante notar que as motivações para tomar café fazem parte da procura pelo bem-estar: 63% dos entrevistados disseram apreciar uma xícara para melhorar o humor e a disposição, e 42% o fazem pelo ritual, prazer e bem-estar.
Ao mesmo tempo, 12% afirmaram tomar café para degustar e saborear a bebida, enquanto o número em 2023 era de apenas 8%.
Tendências do mercado
Em relação às cafeterias, 39% disseram frequentar os espaços. Os principais motivos que os levam a visitar cafeterias são:
- Possibilidade de interagir com pessoas;
- A qualidade do café;
- O ambiente agradável e relaxante.
Isso faz parte da tendência que Caio Tucunduva, colunista do CNN Viagem & Gastronomia, vem apontando em seus textos. O público está saboreando mais a bebida porque a qualidade do produto melhorou, com os produtores experimentando fermentações criativas e tratando o café como produto autoral.
Segundo o especialista, beber café em 2026 tem virado cada vez mais experiência e até um pequeno espetáculo. "A bebida chega à mesa com narrativa, copo escolhido, aroma liberado no serviço. Às vezes tem história da fazenda. Às vezes tem história do bartender. Às vezes tem só um silêncio bem colocado que também comunica".
Nesse sentido, outro levantamento da Abic indica que os produtos certificados no estilo Especial cresceram 300% de 2024 para 2025.
Os dados mostram que, apesar da redução do consumo do café e do preço alto como obstáculo, o mercado tem evoluído. O grão integra a rotina de bem-estar dos brasileiros, acompanhando-os em momentos de pausa, de interação com outras pessoas e de degustação da bebida.


