Por que o café continua caro e qual é a relação com seu humor de manhã?

Mudanças climáticas e a melhor qualidade do café são responsáveis pelo alto preço do produto

Caio Tucunduva, colaboração para o Viagem & Gastronomia
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Se você piscou e o preço do café subiu, não foi impressão. Hoje, o tema mais comentado no mundo do café e que finalmente saiu da bolha dos baristas para a conversa do almoço é simples, dramático e universal: “Por que meu café está mais caro e, mesmo assim, nunca se falou tanto sobre qualidade?”

Sou do time que passa horas discutindo moagem como quem debate futebol. Algo entre James Hoffmann explicando ciência com cara de chá das cinco e Dritan Alsela transformando um espresso em evento esportivo. Então sente-se, pegue sua xícara e vamos entender esse drama cafeinado.

O vilão da vez: o clima (sim, ele chegou ao seu coador)

Mudanças climáticas não são mais um problema abstrato. Elas agora têm aroma, acidez desequilibrada e preço por quilo.

Geadas fora de hora no Brasil, secas severas na Etiópia e chuvas imprevisíveis na Colômbia. O resultado? Menos café bom disponível. E quando o café bom fica raro, ele fica… caro. Economia básica, só que com notas de caramelo.

 

“Mas sempre teve crise no café!” Verdade. Só que agora é diferente. Antes, o café era tratado como commodity: volume acima de tudo. Hoje, o consumidor quer saber:

  • Quem produziu;
  • Onde foi cultivado;
  • Como foi processado;
  • E por que esse pacote custa mais que o almoço de terça.

O café virou o vinho da manhã, só que sem a desculpa elegante de “safra excepcional de 1998”.

A ironia deliciosa: nunca foi tão caro… nem tão bom

Aqui está o "plot twist" digno de série: o café ficou mais caro, mas também ficou melhor. Muito melhor. Os produtores estão:

  • Recebendo mais (finalmente);
  • Experimentando fermentações criativas;
  • Tratando café como produto autoral, não matéria-prima anônima.

Você não está pagando só pelo café. Está pagando por história, risco, ciência, suor e uma chance real de felicidade antes das 9h. Então vale a pena? Se você toma café só para acordar: talvez um pouco menos. Se você toma café para sentir algo: absolutamente.

Porque, no fundo, o café especial não é sobre luxo. É sobre escolher começar o dia com algo feito com intenção em vez de desespero. E convenhamos: se o mundo está caótico, que pelo menos o café seja bom.

Agora me diga. Você prefere pagar menos por um café esquecível ou um pouco mais por cinco minutos genuínos de prazer líquido?

Spoiler: seu cérebro já escolheu.

*Os textos publicados pelos Insiders e Colunistas não refletem, necessariamente, a opinião do CNN Viagem & Gastronomia

Sobre Caio Tucunduva

Engenheiro civil, Caio Tucunduva é especialista e mestre em sustentabilidade pela USP. Se apaixonou pelo mundo do café e, já especialista em hospitalidade, começou pelos cursos do Senac de barista e gestão de bares e restaurantes. Formou-se como degustador e classificador de café, tornando-se mestre de torra. Foi para a Austrália oferecer consultoria de torra de café brasileiro e aprendeu novas técnicas, como a blendagem de café verde, uma de suas marcas registradas. Ainda desenvolveu uma técnica de maturação de cafés especiais em madeiras e destilados. Hoje, percorre o país atrás de bons produtores.

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