Grupo Pulse mira 13 operações e R$ 120 milhões sob comando de Fabio Dupin

Com novos restaurantes, empórios e até um salão de beleza no radar, Fabio Dupin prepara uma nova fase de expansão para o grupo Pulse no Rio e em São Paulo

Daniel Salles, colaboração para o Viagem & Gastronomia
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“Virou quase uma obsessão”, diz o restaurateur Fabio Dupin sobre os esforços para fazer com que a clientela estique a permanência ao máximo. Envolve desde a ambientação dos empreendimentos até a elaboração do cardápio e o treinamento dos funcionários — tudo para garantir que as casas do grupo dele, batizado de Pulse, sejam convidativas para passar horas e horas.

“Hoje as pessoas vão aos restaurantes não só para comer, mas para ficar um bom tempo”, justifica o empresário, que divide o comando da companhia com a filha caçula, Eduarda Dupin, a Duda.

Até o final de 2024, os dois eram sócios do restaurateur Leonardo Rezende e o grupo tinha outro nome, Gitan. Com o fim da sociedade, pai e filha ficaram com três casas no Rio de Janeiro: Spicy Fish, Posì e Magnólia, hoje Casa Magnólia, e duas em São Paulo, o Roi e o Giu Giu, transformado no Osteria e Caffè Sardegna.

Rezende manteve-se com o Pici Trattoria e com a Oia Cozinha Mediterrânea, que reabriu como Glória Bistrô.

Com a saída de Rezende, os Dupin colocaram em marcha um plano de expansão robusto. No ano passado, a dupla abriu o asiático Mapuche, no BarraShopping. Para 2026, a meta é inaugurar mais seis negócios, o que deverá elevar o faturamento anual para R$ 120 milhões. Com os novos empreendimentos, o número de funcionários deverá saltar de 408 para quase 760.

A próxima novidade que sairá do papel é o Yuna, no MorumbiShopping, em São Paulo – a inauguração está prevista para a primeira quinzena de junho. “Será um japonês com pratos mais rústicos, desconstruídos”, adianta Fabio. A inauguração do Alma está prevista para julho. Trata-se de um salão de beleza em Ipanema, e da primeira investida do grupo nessa área.

Em agosto, três negócios complementares deverão entrar em operação no BarraShopping. Um deles, um empório de massas, ganhou o nome de Balcone Paradiso. Já o Empório Paradiso será uma grande mercearia com cinco estações: de pizza, panificação, charcutaria, confeitaria e bebidas. Ao lado, vai funcionar o Balcão Margot, um francês sem formalidades com cardápio assinado pelo chef francês Damien Montecer.

E, para setembro, está prevista a abertura do La Candela, restaurante de cozinha ibérica que herdou o imóvel que era do Gero, na esquina das ruas Redentor e Aníbal de Mendonça, em Ipanema. Spoiler: Fabio está decidido a revestir a célebre fachada de tijolinhos. “Senão vão achar que o grupo Fasano abriu outro negócio no local”, justifica-se.

E há mais dois negócios no horizonte no Rio de Janeiro, estes ainda sem definição de endereço e data de inauguração. Falamos do Errare, bar dedicado à black music, e do Space Fish Market, uma extensão do primeiro asiático do grupo.

Registre-se que o Spicy Fish é o negócio de maior faturamento do Pulse. “Atende, em média, 10 mil clientes por mês”, informa Dupin. Logo em seguida vem o Posì. Atualmente, o grupo atende quase 36 mil clientes por mês.

O restaurateur é um dos destaques da programação do Fórum de Líderes na Gastronomia (FOLGA) + Mesa ao Vivo Rio - Gestão e Negócios. O evento, marcado para os dias 16 e 17 de junho na Marina da Glória, é organizado pelo Sindicato de Bares e Restaurantes do Rio de Janeiro, o SindRio, em parceria com o Mundo Mesa.

Dupin dará uma palestra no segundo dia do evento. “Não pretendo me colocar na posição de dizer o que outros empresários do ramo devem ou não fazer”, promete. “Vou mostrar como é o nosso dia a dia e expor as decisões que tomamos, que nem sempre são as melhores”.

Convém lembrar que a programação do evento também prevê painéis e palestras sobre assuntos diversos: do papel da Inteligência Artificial (IA) dentro das cozinhas profissionais aos impactos do fim da escala 6X1 para o setor de bares e restaurantes.

Dupin debutou no mundo dos restaurantes como investidor do Oia Cozinha Mediterrânea. Tomou essa decisão por influência da filha, que já estava determinada a atuar nesse meio (antes, é verdade, investiu, brevemente, em outro empreendimento desse ramo). Economista de formação e designer graduado na Escola de Belas Artes da UFRJ, ele teve duas outras carreiras, no jornalismo e na publicidade, antes de enveredar pela gastronomia.

No Jornal do Brasil, foi diretor de arte, secretário de redação, editor de esporte, de política e diretor de redação. Depois de dar adeus ao veículo, trabalhou com publicidade e chegou a montar sua própria agência de marketing, que passou adiante.

“A Duda resolveu entrar na onda dos restaurantes e eu acabei embarcando”, resume o restaurateur, que surfa todo santo dia. “Não sou só de ficar olhando a onda”, faz questão de frisar. “Surfo mesmo”. Vale para o esporte e para o setor de restaurantes.

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