Lemí, em Curitiba: técnica apurada e atmosfera casual dividem protagonismo
Na região mais efervescente de Curitiba, gastrobar faz parte de um estilo de estabelecimento em ascensão em Curitiba, combinando aparência despretensiosa e extremo cuidado com o que é servido à mesa

Aberto ao público presencialmente em novembro de 2021, depois de atravessar o período mais turbulento da pandemia funcionando apenas no delivery, o gastrobar comandado por Eduardo Richard nasceu muito antes de efetivamente abrir as portas.
Advogados de formação, Eduardo e sua esposa e sócia, Raphaela, nunca haviam trabalhado com gastronomia. Ele atuava em escritórios; ela estudava para concursos públicos. A ideia começou a tomar forma em 2019, logo após Eduardo conquistar o terceiro lugar no MasterChef Brasil e perceber que a gastronomia, que sempre esteve presente como paixão, poderia virar profissão.

O casal tinha uma ideia bastante clara do que queria criar. O Lemí não seria exatamente um restaurante tradicional, nem apenas um bar. A proposta sempre foi funcionar como um híbrido: um bar com comida de restaurante ou um restaurante com atmosfera de bar. A inspiração veio dos izakayas japoneses e dos bares de tapas europeus, lugares em que o balcão é o centro da experiência, a comida chega para compartilhar e o serviço acontece de forma informal, mas cuidadosa.
Localizado no novo polo gastronômico da Prudente de Morais, o ambiente é pequeno, com capacidade para cerca de 50 pessoas, e é dividido entre o balcão, algumas mesas na calçada, perfeitas para os dias quentes, e o salão superior, inaugurado posteriormente. O endereço foi uma aposta do casal, que acreditou na tendência do movimento de ocupação dos centros das cidades, algo que já ocorria em São Paulo. Essa aposta se mostrou, anos depois, acertadíssima.
O menu do Lemí
Apesar do ambiente descontraído, a cozinha leva a técnica muito a sério. Eduardo define sua cozinha de forma bastante livre: gosta de trabalhar com produtos frescos, o restante da inspiração vem das pesquisas e referências do momento. A casa costuma trabalhar com dois cardápios fixos por mês, mantendo os clássicos intocados enquanto outros pratos entram e saem conforme a sazonalidade, preferência do público ou simplesmente vontade criativa.

Os campeões absolutos de pedidos, porém, seguem soberanos desde o início. O Katsu Sando (R$ 39), sanduíche japonês de carne empanada, reúne tudo aquilo que costuma funcionar bem: textura crocante, carne extremamente macia e suculenta e, claro, muito sabor. Democrático, confortável e viciante. Já o Steak Tartare (R$ 63) aparece como o lado mais técnico da cozinha. Carne de ótima qualidade, bem vermelhinha, cortada meticulosamente na ponta da faca em quadradinhos regulares. O tempero é marcante, com ótima acidez, bastante picles, cebola, tudo também cortado à perfeição. Eduardo acredita que o sucesso do prato vem justamente do cuidado com execução e técnica, atraindo tanto fãs da clássica carne de onça curitibana quanto clientes acostumados a tartares mais tradicionais.

A Croqueta de Milho com Gorgonzola (R$ 39/4 unid) é muito cremosa, repleta de sabor e contrastes de texturas. O Moules Frites (R$ 76) tem mexilhões bem frescos, um molho muito rico e aveludado e uma batata frita de respeito. Já o Lemí Fish (R$ 46), outro grande sucesso da casa, tem o peixe empanado em tempurá absolutamente úmido, bem temperado, com um molho tártaro para equilibrar a fritura e um pão brioche muito macio.
Não deixe de experimentar a Mousse de Chocolate Branco Tostado (R$ 36), ótima para compartilhar, com uma consistência mais densa e deliciosas placas de merengue.

Eduardo é o responsável pelas criações da cozinha e divide a tarefa de estruturação da operação com Raphaela. O funcionamento diário da casa depende, no entanto, de uma equipe bastante alinhada. A gerente Eduarda da Cunha é responsável por transmitir aos clientes o cuidado que os proprietários teriam pessoalmente, enquanto Hudson Batista lidera a cozinha, mantendo o padrão dos pratos. Quem comanda o bar é Leonardo Benevenutti.
O gastrobar atrai pessoas de todas as idades, que gostam de comer bem, mas sem formalidades excessivas. São clientes curiosos, com repertório gastronômico, interessados em dividir pratos, experimentar novidades e passar horas entre drinques e conversas. Grupos de amigos, casais e mesas compartilhadas fazem parte da dinâmica natural do lugar.
Segundo Eduardo, o maior desafio, compartilhado pela maior parte dos donos de restaurantes de Curitiba, é a eterna luta contra as difíceis condições meteorológicas da cidade, que influenciam drasticamente no movimento dos estabelecimentos.
Outro desafio é manter sempre a mesma qualidade que conquistou e fidelizou os clientes, bem como atingir novos potenciais clientes que ainda não conhecem a casa. No entanto, a julgar pela seriedade com que a cozinha é tratada, este desafio não será um problema.

Lemí Gastrobar: Alameda Augusto Stellfeld, 811 - Centro, Curitiba - PR / Telefone: (41) 99292-4801 / Funcionamento: terça a quinta, das 18h30 às 23h30; sexta, das 18h30 às 00h; sábado, das 16h30 às 00h. Não abre aos domingos e segundas.
*Os textos publicados pelos Insiders não refletem, necessariamente, a opinião do CNN Viagem & Gastronomia.
Sobre Caroline Grimm

Curitibana, médica de formação e gastrônoma de coração, Caroline Grimm também é criadora de conteúdo e acumula milhares de seguidores nas redes sociais. Como ela mesma descreve, vive para cozinhar, comer, beber e viajar – não necessariamente nesta ordem, mas sempre em busca das melhores experiências.


