Lina: pasta, brasa e ousadia no restaurante de Bia Limoni e Felipe Bronze
Primeiro projeto da plataforma Bronze+, o Lina, no Itaim, combina massas frescas, brasa e referências globais em uma proposta ousada que já movimenta a cena gastronômica paulistana
Em um bairro como o Itaim, onde restaurantes surgem com uma frequência quase semanal, seria fácil imaginar que o Lina fosse apenas mais um endereço bonito, daqueles que nascem prontos para o Instagram. Só que não.
Sim, a casa é linda. Há uma grande parede em tom terroso que aquece o ambiente, teto de madeira, mesas espalhadas entre o salão e uma pequena varanda que convida a ficar sem pressa. Mas o que realmente faz o Lina chamar atenção é outra coisa. São, de fato, os pratos. Ufa, alívio para quem não aguenta mais só mais um endereço bonito em SP.
A cozinha nasce do encontro entre Bia Limoni e Felipe Bronze. Ele dispensa apresentações: chef do Oro, no Rio de Janeiro, restaurante com duas estrelas Michelin, defensor da brasa como linguagem culinária e figura frequente na televisão. Ela é uma jovem cozinheira paulista que marcou a cidade com suas massas no período em que esteve à frente do Pasta Shihoma, ajudando a consolidar a casa como uma das principais referências em pasta fresca em São Paulo. No currículo, Bia também carrega passagens por cozinhas importantes, como a do Estela, um dos restaurantes mais respeitados da cena gastronômica nova-iorquina.
No Lina, os dois universos se encontram. A pasta, território de Bia, divide protagonismo com o fogo, assinatura de Bronze.
Mas é Bia quem conduz a cozinha no dia a dia, e é bonito ver o que ela faz ali. Talentosa, sensível e segura, ela cozinha com técnica e delicadeza, mas também com uma coragem que nem sempre aparece em cozinhas italianas contemporâneas. Há firmeza nas escolhas, uma ousadia que dá certo.
O cardápio parte da tradição italiana, mas não se sente obrigado a respeitá-la ao pé da letra. Um carpaccio tonnato (R$83) chega à mesa coberto por rúcula, alcaparras e muito queijo Tulha ralado. A provocativa non è polenta (R$60) aparece em forma de bolinhos fritos, recheados com bechamel e milho, finalizados com mel picante e queijo Quina ralado finíssimo, e o tartar de atum (R$ 89) ganha mascarpone, água de tomate fermentada e avelãs. Se a ideia for ousar nas entradas, o Foie Gras cioccolato (R$ 180) é uma boa pedida. Inspirado em um prato que Felipe Bronze provou na Espanha, combina massa com toque de chocolate branco, recheio de queijo Tulha e finalização de foie gras, criando um jogo interessante entre doçura, cremosidade e intensidade.

As massas, claro, são o coração da casa. Todas produzidas ali, chegam com textura delicada e sabores que mostram repertório mundial. O rigatoni com bottarga, dashi e daikon (R$157) mistura Itália e Japão com naturalidade; o fettuccine al ragù di costina alla brace (R$148) traz massa fresca envolvida em um ragù profundo, feito com costela que passa 18 horas na brasa antes de chegar ao prato, finalizado com hortelã, pinoli e queijo Tulha; o cavatelli alle vongole (R$ 169) traz os mariscos brancos puxados no Jerez, pangratatto e guanciale.
Há ainda espaço para invenções divertidas, como o spaghetti alla arrabbiata (R$117) que ganha notas picantes e fermentadas com gochujang e kimchi. E a brasa aparece também em pratos mais diretos, como a carne nobre do dia para compartilhar, acompanhada de batatas rústicas, aioli e folhas tostadas no fogo (R$220).

Na sobremesa, o tiramisù (R$62) também surge com o toque autoral da Bia, com pão de ló, zabaione e avelã.
O Lina é ainda o primeiro projeto da Bronze+, plataforma criada por Felipe Bronze para desenvolver novos restaurantes em parceria com outros chefs.

Lina: Rua Jerônimo da Veiga ,129, Itaim Bibi / São Paulo - SP / Funcionamento: terça a sábado, das 19h às 23h, e domingo, das 13h às 17h. Reservas pelo Get In.


