Bienal de Veneza: Pavilhão do Brasil exalta natureza e espiritualidade

Maior exposição de arte contemporânea do mundo começa neste sábado (9), na Itália. Brasil participa com a exposição "Comigo ninguém pode", com curadoria de Diane Lima

Daniela Filomeno, do Viagem & Gastronomia
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A 61ª Bienal de Arte de Veneza, a maior exposição de arte contemporânea do mundo, tem início neste sábado (9) e vai até 22 de novembro. Neste ano, o tema é "In Minor Keys" ("Em tons menores", em português). O Brasil participa com o projeto "Comigo ninguém pode".

O Pavilhão do Brasil tem curadoria de Diane Lima e reúne obras de Rosana Paulino e Adriana Varejão. Segundo a Fundação Bienal de São Paulo, o projeto tem como ponto de partida a planta comigo-ninguém-pode, que é símbolo de proteção e resiliência.

Dessa forma, a exposição "convida o público a uma experiência sensível que propõe novas formas de perceber as relações entre natureza, história e espiritualidade".

A 61ª Bienal de Arte de Veneza acontece após a morte da curadora Koyo Kopuoh, que não pôde ver sua proposta concretizada. O evento começou com protestos contra a participação de artistas da Rússia e de Israel. No fim de abril, o júri internacional, presidido pela brasileira Solange Farkas, chegou a renunciar em bloco.

A Bienal reúne artistas de quase 100 países nos espaços históricos dos Giardini e do Arsenale. A proposta curatorial da edição busca desacelerar o olhar diante do excesso de estímulos do mundo contemporâneo, valorizando narrativas mais silenciosas e introspectivas, com forte presença de artistas do Sul Global e discussões sobre memória, identidade, colonialismo, espiritualidade e crise ambiental.

Além dos espaços históricos, dezenas de mostras paralelas se espalham pela cidade, ocupando museus, igrejas e palácios históricos, transformando Veneza em um enorme circuito de arte contemporânea pelos próximos meses.

Pavilhão do Brasil

O projeto brasileiro também faz referência a um desenho da série "Senhora das plantas", de Rosana Paulino. Além disso, Adriana Varejão simula diferentes materialidades por meio da pintura, como concreto, carne, talha barroca e cerâmica, culminando no elemento botânico.

Os visitantes encontrarão pinturas, esculturas e desenhos, bem como novas obras de grande escala desenvolvidas para o projeto. "Acredito que o Brasil verá a si mesmo como um reflexo e uma sombra no espelho, um autorretrato pintado com conversas sobre a carne, a natureza e a fé”, afirma a curadora Diane Lima.

Recuperação do Pavilhão do Brasil

O Pavilhão do Brasil fica na área dos Giardini, um dos dois principais espaços da Bienal de Veneza. Foi projetado em 1964 por Giancarlo Palanti, Henrique Mindlin e Walmyr Lima Amaral para a 32ª edição do evento.

O local foi recuperado recentemente pela Fundação Bienal de São Paulo em parceria com o Ministério da Cultura e o Ministério das Relações Exteriores.

O processo foi realizado em três fases: a primeira concentrou-se em reparos estruturais essenciais, a segunda recuperou elementos-chave do projeto arquitetônico original, como as paredes laterais de vidro e a fachada do Pavilhão, e a etapa final foi concluída no início de 2026.

Os interessados em visitar a 61ª Bienal de Arte de Veneza devem garantir ingressos online. As entradas custam 30 euros (cerca de R$ 173).

Pavilhão do Brasil na 61ª Exposição Internacional de Arte – La Biennale di Venezia
Exposição "Comigo ninguém pode" / Pavilhão do Brasil (Giardini Napoleonici di Castello, Padiglione Brasile, 30122, Veneza, Itália) / De 9 de maio a 22 de novembro de 2026 / Horários: 9 de maio a 27 de setembro, das 11h às 19h; e de 29 de setembro a 22 de novembro, das 10h às 18h. Fechado às segundas-feiras (exceto nos dias 11 de maio, 1º de junho, 7 de julho e 16 de novembro) / Mais informações no site.

O que fazer e onde comer em Veneza

Além da Bienal, Veneza esbanja arte por todos os cantos, com igrejas, construções históricas, museus e galerias.

A cidade costuma ficar cheia no verão, principalmente entre julho e agosto, época de férias também na Europa, quando multidões tomam conta de suas ruelas, monumentos e canais. As temperaturas facilmente passam dos 40ºC.

Em uma primeira visita, foque nos ícones turísticos, mas lembre-se: o encanto da cidade está em se perder sem pressa pelas ruelas, andar sem rumo por becos que desembocam em canais charmosos, além de sentar e degustar um vinho branco ou um Spritz.

Veneza revela parte de sua grandiosidade em cartões-postais históricos espalhados pelos canais e vielas. A Ponte de Rialto, um dos símbolos locais, atravessa o Grande Canal e leva ao tradicional Mercado de Rialto, onde bancas de peixes e frutas ajudam a entender a relação da cidade com o comércio e a gastronomia. Já a Praça de São Marcos concentra alguns dos monumentos mais emblemáticos, como a Basílica de São Marcos, o Palácio Ducal, o Campanário e a histórica Torre dell’Orologio. Nas proximidades, a famosa Ponte dos Suspiros segue como um dos cenários mais fotografados da cidade.

Outras regiões revelam uma outra Veneza. A vista da Ponte dell’Accademia oferece um dos panoramas mais bonitos do Grande Canal, enquanto a Basílica de Santa Maria della Salute domina a paisagem à beira d’água. Próxima dali está a Punta della Dogana, antigo posto aduaneiro transformado em espaço de arte contemporânea. Já o bairro de Cannaregio mostra um lado mais residencial da cidade. Fora do centro histórico, a ilha de Murano mantém viva a tradição do vidro artesanal, uma das marcas culturais mais conhecidas de Veneza.

Alguns dos locais imperdíveis de arte são a Galleria Dell'accademia, uma das principais pinacotecas do mundo; a Coleção Peggy Guggenheim, com um acervo composto por obras cubistas, expressionistas, futuristas e surrealistas, incluindo Picasso, Mondrian, Salvador Dalí, Jackson Pollock, Calder e Giacometti; a galeria de arte moderna do palácio Ca' Pesaro; e o Palazzo Grassi, um dos principais espaços de arte contemporânea de Veneza, instalado em um palácio do século XVIII às margens do Grande Canal.

Em relação à gastronomia, a cidade é um prato cheio para quem gosta de peixes e frutos do mar, além de muita massa. Uma das opções para conhecer a culinária local é o tradicional Da Ivo. Próximo à Praça de São Marcos, o restaurante combina tradições toscanas e venezianas, com opções entre carnes, peixes e especialidades sazonais.

Ainda nos tradicionais, a Osteria Alle Testiere e o Trattoria Do Forni são endereços para os amantes de cantinas bem italianas. Já o Antiche Carampane, recomendado pelo Guia Michelin, oferece uma experiência gastronômica memorável com sardinhas ao molho saor, prato veneziano clássico, e bacalhau à moda mantecato.

Para os entusiastas de brunch, vale uma visita no Aman Venice, um dos hotéis mais luxuosos de Veneza, que abre a refeição aos domingos para não hóspedes no restaurante Arva. O cardápio inclui lagosta, pregado, vitela e spaghetti à Carbonara, assim como espumante. As vistas dão para os jardins do palácio, à beira do Grande Canal.

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