Como é morar em Praga: americana compartilha vida na República Tcheca
Amanda Meyer Barkley foi à capital tcheca em 2018 para passar quatro semanas e acabou construindo uma família

Em 2018, Amanda Meyer Barkley deixou sua casa na Louisiana, nos Estados Unidos, para o que deveria ser um período de férias curtas em Praga. Ela planejava ficar algumas semanas, depois retornar ao país antes de seguir para a China para um trabalho como professora.
Quase uma década depois, ela ainda está na capital tcheca — agora na casa dos 30 anos, casada e criando dois filhos pequenos. Praga, um destino frequentemente chamado de Cidade das Cem Torres, tornou-se seu lar.
Barkley e seu marido passam os verões com seus filhos em parques como Letná, Stromovka e Riegrovy Sady, ou no Museu Nacional da Agricultura, a uma curta caminhada de seu apartamento. Os numerosos dětské koutky — cantos infantis escondidos em cafés e espaços públicos da cidade — tornam a vida cotidiana com crianças pequenas algo administrável, até mesmo fácil.
"É realmente a cidade mais bonita com tanta história...", diz Barkley. "Entre a beleza da arquitetura, a cidade em si, todos os parques e espaços ao ar livre... É limpa. É segura. É simplesmente um lugar incrível para se viver. Me sinto muito sortuda por morar aqui."
Há oito anos, Barkley não poderia ter imaginado essa vida. Quando chegou a Praga em janeiro de 2018, ela estava se preparando para se mudar para a China a trabalho. Ela tinha se inscrito em um curso presencial de ensino de inglês como língua estrangeira na capital tcheca após descobrir que precisava de certificação para garantir a posição na Ásia.
Viagem que mudou sua vida
Mas ela ficou tão encantada com a cidade que não embarcou em seu voo de volta no mês seguinte.
Praga não era novidade para ela. Ela havia visitado pela primeira vez em 2015 durante uma viagem pela Europa e admirado os famosos pontos turísticos da cidade — Castelo de Praga, Praça da Cidade Velha — mas se sentiu mais atraída por Berlim. "Eu poderia morar na Alemanha", ela lembrou ter pensado.

De volta aos Estados Unidos, ela trabalhou como professora e continuou viajando, incluindo um ano na Austrália. Quando surgiu uma oportunidade de ensino na China, Praga parecia uma parada prática — um lugar para obter certificação e seguir adiante.
Foi uma mudança que alteraria todo o curso de sua vida.
Ela chegou à cidade apenas com uma mochila e a intenção de se concentrar em seu curso de um mês. Mas as coisas começaram a se desfazer quando ela descobriu que, por já ter um diploma de professora, o trabalho na China não exigia a qualificação extra.
Inicialmente, ela se sentiu frustrada e chateada por ter desperdiçado dinheiro com a passagem aérea para Praga e com a hospedagem por um mês. No entanto, logo se viu aproveitando a cidade, "saindo com todas essas pessoas legais."
Momento decisivo

"Então eu simplesmente mudei de direção e disse: 'o que seria necessário para eu ficar aqui agora?"
Algumas semanas depois, Barkley enviou um e-mail desistindo da vaga na China. Então veio a parte difícil: encontrar um emprego e um lugar para morar em uma cidade que ela nunca pretendera chamar de lar.
Ela assumiu vários empregos de meio período como professora e bartender antes de conseguir um trabalho em tempo integral ainda naquele ano. Começar uma nova vida do outro lado do mundo também significava que ela precisava comprar roupas novas para "poder usar algo além das seis camisas" que ela originalmente havia trazido consigo.
As coisas não foram fáceis no início. Como a mudança para Praga não foi planejada, ela diz, não estava preparada para os meses de aperto. Precisando se deslocar para seus múltiplos empregos, mas com pouco dinheiro, ela vivia de forma moderada, às vezes dependendo de uma dieta de ovos e batatas para reduzir os custos.
"Esse foi definitivamente meu período mais difícil financeiramente," diz.
Mas socialmente a vida estava se abrindo. Ela formou um grupo próximo de amigos, muitos dos quais conheceu durante o curso de ensino. Um deles era Blake, outro americano. "Nós fomos apenas amigos por muito tempo," explica. "Mas cerca de três anos e meio depois, dissemos: 'talvez não sejamos apenas amigos.'"
Eles se casaram em 2022. Seus dois filhos, agora com um e dois anos, nasceram na República Tcheca. Barkley atualmente possui um cartão de funcionário, que é uma autorização de residência de longa duração, válida por até dois anos, para cidadãos não pertencentes à União Europeia que permanecem no país por mais de 90 dias a trabalho.
Ao longo dos anos, o casal discutiu sobre retornar aos Estados Unidos. Por enquanto, eles escolheram ficar, decidindo que é o melhor lugar para sua família.
Eles vivem em um apartamento de dois quartos em Holešovice, um bairro tranquilo ao norte do rio, e apreciam a facilidade com que podem viajar pela Europa. Viagens de carro pela Áustria, Alemanha e Itália tornaram-se parte da vida familiar.
"Essas oportunidades e experiências seriam muito mais difíceis de proporcionar a eles se vivêssemos em uma parte diferente do mundo geograficamente", diz Barkley.
Viver em Praga exigiu adaptação cultural. Barkley, que documenta sua vida na cidade em sua conta no Instagram, diz que aprendeu rapidamente a abandonar seu "sorriso americano". Os tchecos "não fazem isso de jeito nenhum", ela diz. Há apenas "olhares vazios".
"Agora estou muito acostumada, mas sou do Sul dos Estados Unidos, onde todo mundo sorri e todo mundo fala com você", diz, acrescentando que precisa se lembrar de sorrir para as pessoas quando visita os Estados Unidos.
"Eu diria que os tchecos, em geral, são muito mais reservados que as pessoas em muitas outras partes do mundo ocidental", ela acrescenta, enfatizando que os encontrou "genuinamente tão calorosos, gentis e generosos", mesmo que esse calor demore para se revelar.
Adaptação cultural

Ela fez alguns amigos tchecos, mas diz que a maioria dos amigos do casal são estrangeiros, uma realidade que Barkley atribui em parte à barreira do idioma e em parte ao fato de que ela trabalha principalmente em ambientes de língua inglesa. Ela tem feito aulas de tcheco "ocasionalmente" e diz que "consegue se virar", embora tarefas burocráticas continuem desafiadoras.
Uma das diferenças mais significativas tem sido a abordagem do país em relação à vida familiar, segundo Barkley.
As mães na República Tcheca têm direito legal a 28 semanas de licença-maternidade remunerada e podem tirar até três anos com o consentimento do empregador. Barkley está em licença-maternidade desde 2023 e planeja retornar ao ensino no final de 2026.
"Tem sido realmente incrível ficar em casa com as crianças...", ela diz. "Ter a opção de ficar em casa com eles por um tempo... Quando me mudei para cá, eu era solteira. Estava nos meus 20 anos, nem pensava nisso."
"Então, o simples fato de eu ter acabado neste lugar que nos deu essa oportunidade de estar presente em tanto tempo da primeira infância deles, é realmente ótimo."
Ela também descreve um ritmo de vida diferente — menos guiado pelo que ela chama de "cultura da correria" americana.
"Tenho certeza de que existem pessoas que se sentem assim", ela diz sobre seu país adotivo. "Mas sinto que o foco é mais nas pessoas, nas famílias e em aproveitar a vida."
Barkley diz que "tudo é um pouco mais minimalista" na República Tcheca, e isso "acaba se espalhando para muitas áreas diferentes da vida."
A criação dos filhos também parece diferente. Ela observa uma abordagem mais distanciada, com maior independência dada às crianças e um nível mais alto de confiança — incluindo crianças viajando sozinhas no transporte público desde pequenas. Como professora, ela também notou o que considera um maior respeito pelos educadores.
Embora ame viver em Praga, Barkley ainda sente saudade dos Estados Unidos, que fica mais forte com o passar do tempo.
"Estar tão longe da família já era difícil antes, mas é um nível diferente de dificuldade quando você tem filhos", ela diz. "E eles estão crescendo e mudando tão rápido."
Após uma visita recente no Natal, ver seus filhos com os avós e primos despertou dúvidas. Mas ela suspeita que elas desaparecerão com a volta do calor na cidade.
Às vezes, ela ainda se pergunta o que teria acontecido se tivesse embarcado naquele voo para a China. "É louco como a vida pode mudar", ela diz. "E não acho que teria durado muito na China, para ser honesta... Talvez eu tivesse acabado aqui de qualquer jeito."



