Consumo de carne suína bate recorde histórico no Brasil

Situação econômica do país e quebra de mitos faz com que os brasileiros passem a consumir mais carne de porco

Porco San Zé d'A Casa do Porco, premiado restaurante que tem a proteína como protagonista
Porco San Zé d'A Casa do Porco, premiado restaurante que tem a proteína como protagonista Mauro Holanda

Tina Binido Viagem & Gastronomia São Paulo

Foi-se o tempo em que havia um certo preconceito com a carne de porco no Brasil. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população do país consumiu, em média, 18 kg da proteína animal entre janeiro e junho deste ano, dado histórico no Brasil.

Para se ter uma ideia, em 2010 o consumo era de 14 kg por habitante e foi para 16 kg em 2021, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). De fato, a carne suína conquistou o paladar dos brasileiros – e do mundo – tanto que o melhor restaurante do Brasil, segundo o Latin America’s 50 Best Restaurants, é A Casa do Porco, dos chefs Janaína e Jefferson, que como o próprio nome deixa claro tem a proteína como protagonista.

Chef Janaína Rueda é referência quando o assunto é carne suína / Rogerio Gomes

Janaína Rueda, que podemos afirmar que é a embaixadora da carne suína no país e no mundo, diz que da abertura da casa, em 2015, para cá sente que já conseguiram quebrar paradigmas que a população tinha com o insumo – as enormes filas na porta do restaurantes não a deixam mentir. Mas que ainda tem uma longa jornada para que os mitos sejam somente histórias do passado.

Rueda acredita que é necessário diálogo e reflexões sobre as religiões que proíbem o consumo, mas que estamos no caminho certo. Clique aqui e conheça o sítio de onde vem todo o insumo do premiado restaurante.

É claro que esse aumento no consumo não é apenas pela maior divulgação e quebras de mitos em relação a carne de porco, mas o que realmente impactou esse resultado é a situação econômica do país.

De acordo com o IBGE, enquanto o mercado de suínos passa a ter aumento de procura e diminuição nos preços, o consumo de bovinos no país é o menor em mais de duas décadas. A carne suína registrou queda nos preços de 5,21% no último ano. A baixa é a maior entre os 18 cortes que compõem a variação das carnes no IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), o indicador oficial de inflação do país.

Dados coletados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostram que o consumo de carne bovina caiu ao menor nível nos últimos 26 anos, com 24,8 kg consumidos por brasileiro em um ano. Em comparação, o maior dado registrado foi o de 2006, onde havia cerca de 42,8 kg de carne bovina por pessoa. Nos últimos cinco anos, a queda registrada já chega a uma diminuição de mais de 26% no consumo no país.

A Alegra, indústria de derivados de carne suína integrante da Unium, que atua na região dos Campos Gerais, no Paraná, tem acompanhado o movimento e em 2021 registrou o faturamento de R$ 1 bilhão, 20% a mais que ano anterior, com 97 mil toneladas de carne suína processada.

“Existe um aumento no consumo [de carne suína] muito por conta da situação econômica do país. Hoje, a carne suína tem a melhor relação custo-benefício, comparando com aves e bovinos. A introdução da proteína suína nos lares brasileiros está na casa dos 90% e há bastante espaço para crescer”, analisa Luiz Otavio Morelli, gerente comercial da Alegra.

“Nos últimos anos, a indústria vem mudando sua relação com o mercado interno. O suíno deixou de ser apenas matéria-prima ou pauta de exportação e começou a agregar valor e buscar atender às necessidades do mercado. Temos, atualmente, um produto mais adequado àquilo que o consumidor espera”, completa Morelli.

Expectativas do setor para fechar 2022 são positivas

Historicamente, os últimos meses do ano são positivos para o mercado da carne suína no Brasil, impulsionados pelas festas de fim de ano. Em 2022, contudo, esses eventos ganharam a companhia de outra data que deve movimentar ainda mais o setor: a Copa do Mundo do Catar, realizada pela primeira vez entre novembro e dezembro.

Em estudo realizado pela consultoria Meta, 56% dos entrevistados afirmaram que devem realizar ou participar de churrascos durante os jogos, fator que tem tudo para impactar o mercado de proteína animal no Brasil.