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    Ibovespa fecha em alta de 0,2% com commodities e Ucrânia; dólar sobe a R$ 4,78

    Principal índice da B3 subiu aos 120.259,76 pontos e terminou o dia no maior patamar desde 27 de agosto de 2021; enquanto a moeda norte-americana valorizou 0,59%

    Guerra na Ucrânia continua no radar dos investidores
    Guerra na Ucrânia continua no radar dos investidores AlphaTradeZone/Pexels

    João Pedro MalarArtur Nicocelido CNN Brasil Business*

    em São Paulo

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    O Ibovespa teve leve alta de 0,2%, alcançando os 120.259,76 pontos, nesta quarta-feira (30), no maior patamar desde 27 de agosto de 2021, quando bateu 120.678 pontos. O principal índice da B3 foi beneficiado pela alta nas ações ligadas a commodities, cujos preços se recuperam após as quedas na véspera devido a um pessimismo maior do mercado.

    A mudança ocorreu devido à pausa nas negociações entre Rússia e Ucrânia e falta de avanços concretos, o que gera cautela entre os investidores e um pessimismo quanto a uma resolução do conflito. Com isso, as ações beneficiadas após o aparente avanço entre os países na terça-feira (29) devolveram parte dos ganhos.

    Já o dólar teve alta de 0,59%, encerrando a R$ 4,785. A moeda norte-americana foi beneficiada em relação ao real devido a uma maior aversão a riscos por conta dos conflitos no Leste Europeu.

    O cenário faz com que o real devolva uma parte da intensa valorização iniciada em 2022, apoiada pelos juros altos do Brasil, ativos considerados descontados na bolsa de valores e busca por mercados ligados a commodities, cujos preços dispararam com a guerra na Ucrânia.

    Veja os principais destaques do pregão desta quarta-feira:

    Maiores altas

    • Banco Pan (BPAN4) +5,68%;
    • Yduqs (YDUQ3) +3,45%;
    • Méliuz (CASH3) +2,65%;
    • Minerva (BEEF3) +2,82%;
    • CSN (CSNA3) +2,46%

    Maiores baixas

    • Qualicorp (QUAL3) -5,99%;
    • Grupo Natura (NTCO3) -4,56%;
    • Azul (AZUL4) -4,26%;
    • Iguatemi (IGTI11) -3,82%;
    • Petz (PETZ3) -3,40%

    Na terça-feira, o dólar caiu 0,30%, encerrando a R$ 4,757, no menor valor desde 9 de março de 2020. Já o Ibovespa subiu 1,07%, a 120.014,17 pontos.

    Petróleo

    Desde a invasão da Ucrânia pela Rússia no dia 24 de fevereiro, os mercados de petróleo mostram a maior volatilidade em dois anos, com os preços da commodity chegando a bater níveis vistos pela última vez em 2008.

    A commodity tem oscilado na faixa dos US$ 100 e US$ 110 nos últimos dias. Por um lado, o mercado espera uma demanda menor devido a novos lockdowns na China e à perspectiva de um ciclo de alta de juros maior nos Estados Unidos, o que desaceleraria a economia do país.

    Nesta quarta-feira, o petróleo WTI fechou a US$ 107,82, com alta de 3,43%, enquanto o brent encerrou a US$ 113,45, com valorização de 2,92%.

    Ao mesmo tempo, qualquer novidade sobre a guerra influencia os preços, alimentando ou reduzindo temores de problemas na oferta e influenciando nos preços.

    Porém, se comparado com anos anteriores, o petróleo segue em valores elevados, devido ao descompasso entre oferta e demanda da commodity, com os principais produtores, reunidos na Opep+, ainda não retomando os níveis de produção pré-pandemia. O quadro foi intensificado com as tensões na Europa.

    Commodities

    A disparada nas commodities com o conflito no Leste Europeu favorece o mercado brasileiro, e seus efeitos têm ajudado a superar a aversão a riscos com a guerra na Ucrânia, o que beneficia o real até o momento.

    O ciclo está ligado, em parte, à alta nos preços do petróleo e do minério de ferro devido à elevada demanda em meio à retomada econômica. O processo de alta de juros nos Estados Unidos também alimenta essa migração, com a saída da renda variável norte-americana.

    Ao mesmo tempo, um levantamento da consultoria Safras & Mercados, produzido a pedido da CNN, aponta que o milho e a soja atingiram o maior preço dos últimos dez anos, neste mês de março. O primeiro chegou a US$ 7,64 no dia 11, enquanto o segundo atingiu US$ 17,05 no dia 1º.

    trigo ainda bateu o recorde histórico, segundo Safras & Mercados. O grão chegou a ser negociado a US$ 14,25 por bushel (unidade de medida usada como padrão para negociações internacionais dessas commodities), no dia 7 deste mês.

    De janeiro a março deste ano, o preço médio dessas mercadorias apresentou uma alta significativa. O trigo teve o maior aumento – 49,5% no período. Já o milho registrou um crescimento de 22,7%, e a soja, uma variação de 20%.

    Outro fator por trás desse movimento são as expectativas de mais medidas pró-crescimento na China que estão aumentando as esperanças de uma recuperação na demanda por metais, o que levou a altas nos preços, reforçadas com a crise na Ucrânia.

    Porém, intervenções do governo chinês no mercado e um novo surto de Covid-19 no país com lockdowns ainda geram pressões de queda, em um sobe e desce na cotação, que continua em níveis elevados.

    Guerra na Ucrânia

    Acompanhe a cobertura ao vivo da CNN sobre o conflito.

    Com a guerra na Ucrânia completando um mês, as forças ucranianas têm tentado recuperar território dos russos nos últimos dias, de acordo com um alto funcionário da defesa dos Estados Unidos — que os descreveu como “capazes e dispostos” a fazê-lo.

    Rússia e Ucrânia realizaram uma nova rodada de negociações na terça-feira, na Turquia, com uma promessa russa de reduzir a atividade militar na capital, Kiev, e em Chernihiv. O presidente ucraniano sinalizou que o país aceitaria um status de neutralidade, uma exigência russa, mas sem concessões territoriais.

    Porém, Apesar de a Rússia ter prometido reduzir os ataques na Ucrânia, bombardeios voltaram a ser registrados em Chernihiv, no norte, segundo afirmou o prefeito local Vladyslav Atroshenko.

    Uma equipe da CNN que está trabalhando perto do subúrbio de Irpin ouviu constantes bombardeios na região.

    Até agora, Ucrânia e Rússia se sentaram à mesa para algumas rodadas de negociações. Houve a tentativa de abertura de corredores para retirada da população e chegada de ajuda humanitária.

    Do ponto de vista econômico, as sanções de maior impacto econômico para a Rússia estão ligadas à expulsão de bancos russos do Swift, um meio global de processamento de pagamentos.

    *Com informações da Reuters e de Elis Barreto, da CNN

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