Relembre os fatos que marcaram a aviação em 2021

Em mais um ano atípico para uma das atividades mais afetadas pela pandemia, setor viveu período com novidades, despedidas e, principalmente, de muita tecnologia

Thiago Vinholescolaboração para o CNN Brasil Business

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Um dos setores mais afetados pela pandemia de Covid-19 em 2020, a indústria aeronáutica começou a recuperar o fôlego em 2021, embora ainda esteja distante de seus melhores resultados históricos.

Em mais um ano atípico, a categoria desta vez iniciou um período de transformações com foco em sustentabilidade e tecnologias disruptivas ao mesmo tempo em que se despediu de velhos conceitos, como foi o caso da descontinuação do Airbus A380.

No Brasil, um dos maiores destaques do setor aéreo foi a estreia e o provável fim da ITA Transportes Aéreos, companhia aérea do Grupo Itapemirim, que atuou por menos de seis meses no mercado até suspender suas operações e perder a autorização da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) para voar comercialmente.

Relembre, abaixo, os principais fatos sobre a aviação brasileira e mundial em 2021.

Estreia e a paralisação da ITA Transportes Aéreos

Nascida em plena pandemia, a ITA Transportes Aéreos, uma divisão do Grupo Itapemirim, fez seu primeiro voo comercial em 29 de junho de 2021 no trecho entre os aeroportos de Guarulhos/São Paulo (SP) e Brasília (SP). Entretanto, menos de seis meses depois de sua estreia no mercado brasileiro, a ITA suspendeu repentinamente suas atividades no dia 17 de dezembro.

Em nota à imprensa, a ITA informou que a paralisação das operações é temporária e que fará “uma reestruturação interna”. A empresa acrescentou que “em breve” deve retomar seus voos. Após o anúncio, a Anac suspendeu o Certificado de Operador Aéreo da companhia.

Até a paralisação dos voos, a ITA prestava serviços em 13 cidades e já havia recebido 10 jatos Airbus A320 configurados para acomodar 162 passageiros. Em 2022, a empresa planejava chegar a 35 destinos nacionais e formar uma frota com 50 aeronaves.

Eve recebe mais de 1.700 pedidos por e-VTOLs

Subsidiária da Embraer focada em projetos de mobilidade aérea urbana, a Eve já é um dos grandes nomes do mercado de eVTOLs (sigla em inglês para Aeronave Elétrica de Pouso e Decolagem Verticais).

A nova categoria de transporte público estreará nos próximos anos em grandes metrópoles ao redor do mundo, incluindo cidades brasileiras.

No decorrer de 2021, a Eve recebeu um total de 1.735 pedidos de eVTOLs de 17 empresas. Entre elas, estão três empresas brasileiras: Avantto, Flapper e Helisul.

Também neste ano, a divisão da Embraer iniciou uma fase de testes de mobilidade aérea com o público no Rio de Janeiro, em preparação para a chegada das aeronaves elétricas, previstas para meados de 2026.

Os eVTOLs serão a primeira espécie de aeronave com motores elétricos a prestarem serviços de transporte comercial de passageiros.

Mais adiante, com os avanços tecnológicos, esses aparelhos vão dispensar os pilotos e adotar sistemas de controle autônomo.

Embraer foca em estudos sobre produtos sustentáveis

Em agosto, a Embraer deu início ao seu novo plano estratégico “Fit for Growth” com metas de Governança Ambiental, Social e Corporativa (ESG, na sigla em inglês), no qual a fabricante se comprometeu a neutralizar as emissões de carbono até 2050 e criar oportunidades de trabalho para grupo minorizados.

O primeiro passo da nova estratégia da Embraer veio com a confirmação, também em agosto, do primeiro voo de sua aeronave elétrica, um modelo demonstrador de tecnologia baseado no avião agrícola Ipanema projetado em parceria com a WEG e a EDP Energias do Brasil.

Mais adiante, em novembro, a Embraer apresentou a Energia Family, uma família de aviões comerciais conceituais com tecnologias de motorização de baixa e zero emissão.

A série contempla quatro aeronaves: Energia Hybrid (com motorização híbrido-elétrico), Energia Electric (elétrico), Energia H2 Fuel Cell Gas Turbine (célula de combustível) e Energia Gas Turbine (motores movidos a hidrogênio ou combustível sustentável de aviação).

Fabricantes de aviões encerram disputas comerciais na OMC

Neste ano, chegaram ao fim duas longas disputas na Organização Mundial do Comércio (OMC) envolvendo os quatro maiores fabricantes de aviões do mundo. Apesar de litígios diferentes, os questionamentos eram os mesmos: combater subsídios concedidos por governos.

Em fevereiro, o governo brasileiro, em defesa da Embraer, comunicou à OMC a decisão de encerrar a disputa contra o Canadá, iniciada no organismo em 2017, em que questionava os benefícios concedidos pelo governo canadense à Bombardier.

Em junho, foi a vez de Estados Unidos e União Europeia resolverem uma disputa comercial sobre subsídios à Airbus e à Boeing iniciada em 2004.

Na disputa com os canadenses, o Brasil questionava os subsídios repassados à Bombardier para o desenvolvimento e produção do jato C-Series (atual Airbus A220).

A União Europeia, por sua vez, protestou sobre a Boeing ter recebido aportes injustos dos governos federal e estadual para custear suas atividades.

Como reposta, os EUA moveu uma ação semelhante reclamando sobre a assistência financeira da UE à Airbus.

FAB reduz pedidos do KC-390 Millennium

Em anúncio que pegou a Embraer e seus acionistas de surpresa, a Força Aérea Brasileira reduziu unilateralmente, em 26 de maio, a encomenda de cargueiros militares KC-390 Millennium, oficializada em 2014.

Dos 28 aviões originalmente encomendados, a quantidade diminuiu para cerca de 15 aeronaves, implicando numa redução de 25% no valor total do contrato de compra dos aparelhos.

As aeronaves seriam compradas por cerca de R$ 11 bilhões (valor corrigido pela inflação), dos quais cinco aparelhos já foram entregues à FAB.

A Aeronáutica justificou o corte em virtude de uma restrição orçamentária sobre programas militares no atual governo e por não ter chegado a uma solução nas negociações com a Embraer.

A fabricante, por sua vez, informou na época que buscaria medidas legais sobre a decisão da FAB.

FAB recebe primeiros caças F-39 Gripen

O primeiro lote com quatro aviões de caça F-39E Gripen foi entregue à Força Aérea Brasileira (FAB) em 24 de novembro, em cerimônia realizada em Linköping, na Suécia, na sede da Saab, fabricante do jato de combate. A FAB encomendou um total de 36 aeronaves, incluindo oito unidades da versão F-39F para dois pilotos.

A entrega dos primeiros Gripen de série à FAB é a concretização do Projeto FX-2, iniciado em 2006 durante o governo do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em substituição ao programa anterior, denominado Projeto FX. A escolha do jato sueco se deu em 2013, durante a administração de Dilma Rousseff.

O contrato de compra dos novos caças da FAB é avaliado em 39,6 bilhões de coroas suecas, o equivalente a R$ 24,1 bilhões na cotação atual.

O negócio também inclui a transferência de tecnologia do jato sueco para o Brasil, que terá a licença para a produzir a aeronave.

A entrega dos 36 jatos da FAB, incluindo os Gripen que serão produzidos localmente, será concluída em 2024.

Airbus entrega o último A380

Maior aviação de passageiros de todos os tempos, o A380 teve sua produção encerrada neste ano. O grupo Airbus entregou o último exemplar da aeronave em 16 de dezembro à companhia aérea Emirates Airline, que é de longe o maior cliente do modelo com 121 jatos do tipo ativos na frota.

O A380 foi a aeronave comercial mais prejudicada com a queda na demanda de passageiros durante o pandemia de Covid-19, que o tornou pouco interessante financeiramente para a maioria de seus operadores.

O futuro do quadrimotor da Airbus já era questionado antes mesmo da crise de saúde global devido ao seu altíssimo custo operacional e poucas encomendas, o que levou a Airbus a anunciar o fim do programa ainda em 2019.

Ao todo, a fabricante europeia produziu 251 unidades do avião com capacidade para mais de 500 passageiros entre 2008 e 2021.

Esses jatos foram adquiridos por 14 empresas aéreas, incluindo Air France e Lufthansa que já retiraram seus modelos de serviço por questões de economia.

Primeiro voo do Boeing 737 MAX 10

No dia 19 de junho, voou pela primeira vez o 737 MAX 10 a partir da sede da Boeing em Renton, nos Estados Unidos. O jato é o último modelo previsto na série MAX, que também contempla as versões MAX 7, MAX 8 e MAX 9.

Trata-se também do maior 737 nos mais de 50 anos de história da aeronave, com fuselagem de 43,8 metros de comprimento e capacidade para 230 passageiros.

O teste inaugural do 737 MAX 10 marcou a retomada do desenvolvimento do programa MAX.

O modelo voou sete meses depois do fim do aterramento dos jatos da série MAX, que permaneceu quase dois anos proibido de voar comercialmente após dois acidentes fatais ocorridos entre 2018 e 2019.

Com as falhas no projeto corrigidas, os jatos começaram a ser liberados no fim de 2020.

A estreia comercial do 737 MAX 10 é esperada para 2023, um ano depois do previsto originalmente. A Boeing tem atualmente 648 exemplares da aeronave encomendadas, incluindo 30 pedidos da companhia brasileira Gol Linhas Aéreas.

“Airbus russo”, Irkut MC-21-300 é liberado para voos comerciais

Primeiro avião comercial totalmente projetado na Rússia desde a dissolução da União Soviética, em 1991, o Irkut MC-21-300 finalmente recebeu o certificado de aeronavegabilidade da agência federal de aviação russa. A certificação da aeronave, confirmada em 28 de dezembro, ocorreu mais de quatro anos após o primeiro voo do jato comercial, em maio de 2017.

Com capacidade para transportar de 163 a 211 passageiros, o MC-21-300 concorre na mesma categoria dos tradicionais Airbus A320 e Boeing 737.

A entrada em serviço do jato russo, porém, só deverá ocorrer em setembro, segundo o fabricante controlado pelo grupo estatal United Aicraft Corporation. O primeiro cliente da aeronave será a companhia aérea russa Rossiya Airlines.

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