Ainda temos nomes que deveriam ser citados no relatório da CPI, diz Randolfe

Vice-presidente da CPI da Pandemia afirmou à CNN que documento final poderá ter "acréscimos, mas não retiradas"

João de Marida CNN

Em São Paulo

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O senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), vice-presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia, afirmou à CNN nesta segunda-feira (18) que “outros nomes deveriam ser citados” no relatório final e que o documento poderá ter acréscimos, mas não retiradas.

“Tem outros nomes que acredito que deveriam ser citados. O ministro Paulo Guedes, por exemplo. Temos dois textos: do senador Renan Calheiros [relator da CPI] e uma contribuição importante do [senador] Alessandro Vieira, que caracteriza que da parte do senhor ministro da economia ocorreu também crime contra ordem sanitária”, afirmou.

“Há um documento no âmbito da CPI em que o governo descreve e reconhece a estratégia de imunidade de rebanho a partir do Ministério da Economia”, disse. “Acredito que essa ausência não pode existir, ainda temos nomes para ser acrescentados”.

A tese da imunidade de rebanho foi refutada por autoridades da Saúde, incluindo pela médica infectologista Luana Araújo em depoimento à CPI.

Em entrevista à CNN, o senador citou ainda o ministro da Defesa, Walter Braga Netto. Segundo ele, há documentos “para eventual indiciamento” pela atuação na Casa Civil. Porém, a CPI “não teve tempo de ouvi-lo”.

“Temos um conjunto de autoridades que não foram ouvidas, mas que temos elementos para apresentar”, disse.

Provas para indiciamentos

Randolfe disse nesta segunda haver provas suficientes, que estarão no relatório final da CPI, para sustentar todos os indiciamentos apontados pelos senadores.

Segundo ele, “talvez seja necessário um ajuste ou outro que depende do diálogo com o campo majoritário da CPI”, mas que “ao invés de ser retirado [nomes do relatório], deve ter ajuste para acrescentar”.

Renan Calheiros afirmou à CNN mais cedo que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) continuará sendo indiciado por 11 crimes no relatório final da CPI.

Para o relator, apesar das mudanças de data na apresentação e votação do relatório, os tipos penais atribuídos ao presidente da República serão mantidos porque ele “deixou de cumprir o seu dever para evitar mortes evitáveis”. Entre os crimes previstos, está o de homicídio.

Divergências na entrega do relatório final da CPI

A entrega e leitura do relatório final estava prevista para esta terça-feira, mas foi adiada. A nova previsão é de que o relator Renan Calheiros faça a leitura do texto na quarta-feira (20), e que a votação seja realizada no dia 26.

A divulgação antecipada de trechos do relatório da CPI não agradou a cúpula da Comissão, que não chegou a participar da redação do texto e teria ficado sabendo através da imprensa.

O relator Renan Calheiros encontra resistência no G-7, grupo majoritário da comissão, para pedir indiciamento de Walter Braga Netto. Do grupo, apenas ele e o senador Randolfe Rodrigues têm defendido com mais ênfase a inclusão do general, conforme adiantou o analista da CNN Caio Junqueira.

Conforme a CNN mostrou na quinta-feira (14), Renan tentaria convencer os senadores de que Braga Neto deve ser incluído em razão de ele, na condição de ministro da Casa Civil, ter comandado as ações de combate a Covid-19. A resistência veio de dentro e de fora da CPI.

(*Com informações de Caio Junqueira, da CNN, em São Paulo, e Basilia Rodrigues, da CNN, em Brasília)

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