Brasileiros têm mais resistência a tomar vacinas chinesa e russa, diz estudo

Dados do Centro de Pesquisa em Comunicação Política e Saúde Pública, da UnB, mostram maior propensão a imunização por vacinas dos EUA ou de Oxford

Enfermeira prepara vacina russa Sputnik V contra Covid-19
Enfermeira prepara vacina russa Sputnik V contra Covid-19 Foto: Tatyana Makeyeva/Reuters (17.set.2020)

Murillo Ferrari, da CNN, em São Paulo

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Um estudo com 2.771 brasileiros feito pelo Centro de Pesquisa em Comunicação Política e Saúde Pública da Universidade de Brasília (CPS/UnB) indicou que 78,1% dos brasileiros se mostram favoráveis a serem imunizados contra o novo coronavírus quando não se detalha o país de origem da vacina.

A associação de uma vacina contra Covid-19 com a China, porém, reduz em 16,4% a intenção de imunização da população. Quanto a vacina russa a intenção diminui 14,1%. Já o imunizante produzido nos EUA reduz em 7,9% essa intenção e a vacina da Oxford diminui esse índice em 7,4%.

As tendências do estudo CPS/UnB são similares às mostradas pela pesquisa realizada pelo Instituto RealTime Big Data, encomendada pela CNN Brasil e realizada entre os dias 13 e 14 de outubro com 1 mil pessoas.

“Esse dado sugere uma desconfiança de parte da população brasileira com a vacina, presente inclusive entre pessoas que estão muito preocupadas com a doença”, afirmou Wladimir Gramacho, coordenador do estudo e do centro de pesquisa da UnB.

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Realizado entre 23 de setembro e 2 de outubro, o estudo mostrou ainda que entre os apoiadores de Bolsonaro, a chance de aceitarem uma vacina chinesa é menor ainda.

Para este grupo que avalia positivamente o governo, menos de um terço dos pesquisados (27%) afirmou ter muita chance de se vacinarem se a substância for produzida na China. Já entre os opositores da gestão do presidente, a porcentagem dobra (54%), mesmo com uma vacina produzida na China.

“Os testes que fizemos mostram que a polarização política tem um efeito menor para o caso de uma vacina produzida na Rússia e não afetou até aqui a receptividade dos brasileiros a vacinas produzidas nos Estados Unidos ou em Oxford”, comentou Gramacho. 

O pesquisador pondera que “o uso da pandemia e da vacina na disputa entre as elites políticas brasileiras tem sido, em si, uma ameaça à saúde pública”.

O estudo é fruto de um consórcio com pesquisadores de universidades federais brasileiras, que além da UnB inclui a Universidade Federal de Goiás e a Universidade Federal do Paraná além da Western University, no Canadá.

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Polêmica sobre a vacina

Na semana passada, o debate sobre a aquisição de uma vacina se intensificou depois do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) decidir cancelar acordo firmado pelo Ministério da Saúde sobre a intenção de compra de doses da Coronavac, da farmacêutica chinesa Sinovac em parceria com o Instituto Butantan.

O protocolo com a intenção de compra havia sido assinado na terça-feira (20) pelo ministro da pasta, Eduardo Pazuello, durante videoconferência com governadores. A decisão de Bolsonaro foi amplamente criticada pelo governador de São Paulo, João Doria (PSDB), e por parlamentares da oposição.

Bolsonaro também diverge de Doria quanto à obrigatoriedade da imunização. Bolsonaro tem dito que a imunização será opcional.

Na sexta-feira (23), a Anvisa autorizou o Instituto Butantan a importar 6 milhões de doses da Coronavac.

(Com informações do Estadão Conteúdo)

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