“Prescrição favorece crianças de renda maior”, diz médico sobre vacina da Covid

Infectologista e pesquisador da Fiocruz avalia que exigência aumenta a desigualdade entre ricos e pobres

Anna Gabriela Costada CNN

em São Paulo

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Em entrevista à CNN nesta segunda-feira (3) o infectologista e pesquisador da Universidade Federal do Mato grosso do Sul (UFMS) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Julio Croda, afirmou que a exigência de prescrição médica para crianças receberem a vacina contra a Covid-19 pode favorecer famílias com renda maior.

Para Croda, as crianças de baixa renda são mais vulneráveis à doença pelo maior nível de exposição. Além disso, por não terem acesso à atendimento médico particular, podem ter mais dificuldade em conseguir a prescrição médica para receber a dose do imunizante.

“Indicação médica é um contrassenso que vai aumentar a diferença entre crianças ricas e pobres; porque a criança rica terá acesso a um médico, enquanto a criança pobre tem dificuldade de ir ao médico para prescrever a vacina. Justamente a população mais vulnerável, a população socialmente marginalizada, de grandes comunidades carentes, que se expõe mais, que tem mais chances de adquirir a doença com gravidade”, disse o médico.

O Ministério da Saúde irá definir nesta quarta-feira (5) as circunstâncias para a liberação de vacinas contra a Covid-19 em crianças. O ministro da pasta, Marcelo Queiroga, afirmou, em 23 de dezembro, que a pasta irá autorizar a vacinação contra a Covid-19 para crianças de 5 a 11 anos, mas com prescrição médica e um “termo de consentimento livre esclarecido”.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou, em 16 de dezembro, o uso do imunizante da Pfizer em crianças dessa faixa etária no Brasil.

“A gente deveria pensar em proteger as crianças de baixa renda, que são mais vulneráveis. Não existe nenhuma justificativa. A gente não faz isso em nenhuma vacina”, disse Julio Croda.

O infectologista também afirmou que “é desnecessária a consulta pública, porque é um direito dos pais vacinarem seus filhos”.

O governo federal abriu, no fim de dezembro, uma consulta pública para que a população se manifeste a respeito da vacinação de crianças contra Covid-19.

“Essa consulta pública vai mudar, o próprio ministro já anunciou. Geralmente, depois da aprovação da Anvisa, a vacina se torna disponível; cabe ao governo adquirir e disponibilizar para a população”, finalizou o infectologista.

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