Prime Time

seg - sex

Apresentação

Ao vivo

A seguir

    Propagação “silenciosa” da poliomielite em Nova York leva CDC a considerar vacinação adicional

    Caso de pólio foi detectado em julho no condado de Rockland, que tem uma taxa de vacinação contra a doença significativamente baixa

    Clínica de vacinação contra a poliomielite em Pomona, Nova York, em 22 de julho
    Clínica de vacinação contra a poliomielite em Pomona, Nova York, em 22 de julho Victor J. Blue/The New York Times/Redux

    Elizabeth Cohenda CNN*

    Um caso de poliomielite identificado em Nova York no mês passado é “apenas a ponta do iceberg” e uma indicação de que “deve haver várias centenas de casos circulando na comunidade”, disse à CNN uma autoridade dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), dos Estados Unidos, na quarta-feira (10).

    O caso foi detectado no condado de Rockland, que tem uma taxa de vacinação contra a poliomielite significativamente baixa. O pesquisador José Romero, diretor do Centro Nacional de Imunização e Doenças Respiratórias do CDC, afirmou que a maioria das pessoas com poliomielite não apresenta sintomas e, portanto, pode espalhar o vírus sem saber.

    “Há vários indivíduos na comunidade que foram infectados com poliovírus. Eles estão espalhando o vírus“, disse ele. “O espalhamento é sempre uma possibilidade porque será silencioso”.

    Uma equipe de investigadores de doenças do CDC viajou, na semana passada, da sede da agência em Atlanta para o condado de Rockland. Eles estão “bastante apreensivos” que a poliomielite “poderia sair do controle muito rapidamente e poderíamos ter uma crise em nossas mãos”, disse uma líder comunitária de saúde que se reuniu com a equipe.

    “Eles estão — qual é o oposto de cautelosamente otimistas?”, disse outro líder comunitário, especialista em educação sobre vacinas, que também se reuniu com a equipe do CDC no condado de Rockland. Ambos os especialistas pediram anonimato porque não estão autorizados a falar publicamente.

    A pólio pode causar paralisia incurável e morte, mas a maioria das pessoas nos Estados Unidos está protegida, graças à vacinação. Outros, no entanto, podem estar vulneráveis ​​ao vírus por vários motivos.

    Pessoas não vacinadas e subvacinadas são vulneráveis, e as taxas de vacinação contra a poliomielite no condado de Rockland e no condado vizinho de Orange, ao Norte da cidade de Nova York, são de cerca de 60%, em comparação com 93% em todo o país. Pessoas imunocomprometidas podem ser vulneráveis, mesmo que estejam totalmente vacinadas.

    Romero disse que o CDC está considerando uma variedade de opções para proteger as pessoas da pólio, incluindo oferecer às crianças da região uma dose extra da vacina, como as autoridades de saúde do Reino Unido estão fazendo agora em Londres, ou recomendar doses extras para certos grupos de adultos.

    “Estamos analisando todos os aspectos de como lidar com isso. Neste momento, não temos uma resposta definitiva”, disse ele.

    ** Imagem deve ser usada apenas nesta matéria específica **
    Placa orienta os motoristas a uma clínica de vacinas no departamento de saúde do condado de Rockland, nos EUA / Victor J. Blue/The New York Times/Redux

    Um “assassino silencioso”

    O caso de pólio no condado de Rockland é o primeiro identificado nos Estados Unidos em quase uma década.

    O vírus também foi detectado em esgoto no condado de Rockland e no vizinho Orange County. As amostras positivas foram geneticamente ligadas ao caso individual, mas nenhum outro caso nos EUA foi relatado.

    Cerca de 3 em cada 4 pessoas infectadas com poliomielite não apresentam sintomas, mas ainda são capazes de espalhar o vírus para outras pessoas, de acordo com o CDC. Entre os demais, a maioria apresenta sintomas como dor de garganta ou dor de cabeça que podem ser facilmente ignorados ou confundidos com outras doenças. Apenas um número relativamente pequeno, cerca de 1 em 200 pessoas infectadas, pode apresentar paralisia. Alguns pacientes morrem porque não conseguem respirar.

    No final da década de 1940, os surtos de poliomielite incapacitaram uma média de mais de 35 mil pessoas por ano nos EUA. Uma campanha de vacinação começou em 1955, e os casos despencaram rapidamente. Hoje, uma rodada completa de vacinas contra a poliomielite infantil – quatro doses entre 2 meses e 6 anos de idade – é pelo menos 99% eficaz, de acordo com o CDC.

    Mas nas últimas décadas, alguns pequenos grupos não vacinaram seus filhos contra o vírus. Um deles está dentro da comunidade judaica ultraortodoxa em Nova York, inclusive no condado de Rockland.

    Grande parte do resto da comunidade judaica religiosa no condado de Rockland se uniu aos esforços para educar os “outliers” que se recusam a vacinar, disse a líder de saúde da comunidade.

    “Este é um assassino silencioso, como o monóxido de carbono, e não sabemos quando nos atingirá”, disse ela.

    ** Imagem deve ser usada apenas nesta matéria específica **
    Contagem de doses contra a poliomielite administradas no Condado de Rockland / Victor J. Blue/The New York Times/Redux

    ‘Um comunicado de imprensa não vai resolver’

    O especialista em vacinas disse que a equipe do CDC tem a intenção de aprender as melhores maneiras de se comunicar com os membros dessa comunidade, que tendem a não usar a internet e, em vez disso, obtêm muitas informações da plataforma de mensagens WhatsApp e dos jornais da comunidade.

    Esta semana, o Condado de Rockland e os prestadores de serviços de saúde locais distribuíram um infográfico em inglês e iídiche que anunciava: “A pólio está se espalhando no Condado de Rockland”.

    O especialista de vacinas no condado de Rockland disse que, nas reuniões com a equipe do CDC, “falamos sobre a necessidade de mensagens que ressoem, e um comunicado de imprensa não será suficiente”.

    A pesquisadora Mary Leahy, CEO do maior provedor de serviços de saúde do Condado de Rockland, Bon Secours Charity Health System, membro do WMCHealth, participou de reuniões com o CDC e disse que para fazer com que as pessoas que não estão vacinando seus filhos contra a pólio entendam a gravidade da doença, “volto-me para os avós e bisavós que realmente viveram os dias da poliomielite nos anos 40 e 50”.

    Isso faz sentido para Romero.

    “Eu cresci no México. Eu vi essa doença, as complicações”, disse ele. “Fui à escola com crianças que usavam aparelho”.

    Ele disse que muitos americanos não reconhecem os efeitos “devastadores” da “paralisia vitalícia” da pólio.

    “Acho que a maioria do público americano nunca viu um caso de poliomielite. As pessoas perderam esse medo, por assim dizer, da doença”.

    *Elizabeth Cohen é correspondente médica sênior da CNN. Danielle Herman e John Bonifield, da CNN, contribuíram para este reportagem.

    Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

    versão original