De brigadeiros caseiros a 5,7 milhões de doces: a história da PikurruchA’s
Marca criada por Ana Lígia e Alexandre chega aos 13 anos com seis operações, fábrica própria e mais de duas toneladas de brigadeiro produzidas por mês

Cinco mil e duzentas e oitenta latas de leite condensado. Mais de duas toneladas de brigadeiro. Cerca de cinco mil ovos. Quase uma tonelada de farinha. Aproximadamente 600 quilos de açúcar. Todos os meses.
Os números ajudam a dimensionar o tamanho que a PikurruchA’S alcançou em 13 anos, mas dizem pouco sobre como essa história começou. Em 2012, Ana Piku e Alexandre Silva fizeram os brigadeiros do próprio casamento. Não havia, naquele momento, uma grande operação de confeitaria ou um plano de expansão. Havia uma receita preparada para uma ocasião especial e a vontade de oferecer aos convidados algo que tivesse a identidade do casal.
O que aconteceu depois transformou aquela produção caseira em uma marca com seis operações, fábrica própria e cerca de 100 colaboradores.

"Depois do casamento, as pessoas começaram a elogiar, indicar e pedir aqueles brigadeiros para outras ocasiões. Foi quando percebemos que não era apenas uma lembrança bonita do nosso casamento: havia um produto que despertava desejo e poderia se transformar em uma marca", contam os fundadores.
A primeira loja foi aberta em 17 de agosto de 2013, em Perdizes, na zona oeste de São Paulo. O começo foi de aprendizado na prática, segundo Ana e Alexandre. "Começamos pequenos, aprendendo enquanto fazíamos, e o crescimento aconteceu à medida que as pessoas passaram a confiar e a criar memórias com os nossos doces."
Mais de uma década depois, aquele brigadeiro feito para uma festa ganhou uma estrutura capaz de produzir em escala. Atualmente, a PikurruchA’S utiliza aproximadamente 5.280 latas de leite condensado por mês e produz mais de duas toneladas de brigadeiro no período. São cerca de 25 toneladas por ano, considerando os brigadeiros enrolados, recheios, bolos e sobremesas. Nos últimos cinco anos, a produção estimada já ultrapassou 115 toneladas, o equivalente a aproximadamente 5,7 milhões de brigadeiros de 20 gramas.

Quando a unidade virou tonelada
Há uma mudança importante na cabeça de quem deixa de contar doces por unidade e passa a pensar em toneladas. Para Ana e Alexandre, ela vem acompanhada de uma responsabilidade que ultrapassa a cozinha.
"Quando você deixa de contar brigadeiros e passa a falar em toneladas, percebe que a responsabilidade cresceu antes mesmo de conseguir comemorar o número", afirmam. "Cada decisão passa a afetar fornecedores, colaboradores, clientes, custos e toda uma cadeia de produção."
A escala também obrigou a empresa a rever a própria maneira de trabalhar. Uma receita que funciona em uma panela pequena não necessariamente se comporta da mesma forma quando multiplicada milhares de vezes.
"A essência das nossas receitas foi preservada, mas a maneira de produzir precisou evoluir muito", explicam.
Equipamentos foram testados, etapas revistas e receitas documentadas. Temperatura, tempo e textura passaram a ser acompanhados com maior precisão, enquanto a seleção dos fornecedores ganhou outro peso. Em uma operação dessa dimensão, uma pequena variação em um ingrediente pode se transformar em uma diferença significativa quando reproduzida milhares de vezes. "Não mudamos para baratear ou descaracterizar o doce; adaptamos os processos para conseguir crescer mantendo o padrão que fez as pessoas se apaixonarem pela marca. Crescer sem perder o sabor significa entender que a padronização não tira a essência: ela protege a essência."
"Precisamos transformar o nosso jeito de fazer em processos claros, fichas técnicas, controle de temperatura, tempo, textura e qualidade dos ingredientes. O afeto continua na origem da receita, mas é o processo que garante que essa mesma experiência chegue a milhares de pessoas."

O crescimento da marca
O crescimento da PikurruchA’S também pode ser percebido no tamanho de suas operações. A unidade de Perdizes tem aproximadamente mil metros quadrados e foi pensada para funcionar como algo maior do que um endereço para comprar doces.
"Nunca quisemos criar apenas um lugar onde o cliente entrasse, comprasse um doce e fosse embora. Queríamos construir um destino", afirmam Ana e Alexandre.
O espaço reúne confeitaria, gastronomia salgada e celebrações e foi concebido para receber diferentes públicos e momentos do dia. Uma família pode almoçar, alguém pode parar para um café ou o espaço pode receber uma comemoração.
A estrutura ajudou a consolidar a unidade como o maior espaço de confeitaria da América Latina, segundo a marca, mas o tamanho não é o único elemento que chama atenção. A PikurruchA’S criou uma linguagem própria em torno da confeitaria, marcada pelo rosa, pelas flores e pela ursa que se tornou símbolo da empresa.
O cardápio reúne mais de 50 opções de doces e sobremesas, além de bebidas e salgados. O brigadeiro continua no centro, mas aparece em diferentes formatos e combinações, dos sabores tradicionais a versões como pistache, paçoca, churros, limão, nozes, red velvet, Romeu e Julieta e sonho de Nutella.
Há também espaço para criações que brincam com formatos conhecidos, como as coxinhas doces de brigadeiro com morango, disponíveis em versões de brigadeiro ao leite, brigadeiro branco com Nutella, zero açúcar e pistache.
Bolos, tortas, sobremesas para compartilhar, produtos para festas e caixas de brigadeiros ampliam o repertório. O doce que deu origem à marca deixou de ser apenas um produto do cardápio e passou a funcionar como uma espécie de assinatura da PikurruchA’S.
Além disso, outra estratégia que ajudou a marca a crescer foram as parcerias. A PikurruchA’S já trabalhou com marcas como Nespresso, Leite Moça, Fini, Coral, Purina, Callebaut, Chandon e Água na Caixa, entre outras.
Mais do que ações pontuais, algumas dessas colaborações levaram a empresa a desenvolver novos produtos e receitas.
Um dos exemplos foi a parceria com a Fini Profissional. Ana foi escolhida para desenvolver mais de 20 receitas com produtos da linha, incluindo Carolina, bolinho de chuva, pastel, cheesecake, banoffee, morangoffee, bolo de festa, mousse e o Pikugateau. A unidade de Perdizes também recebeu, em primeira mão, lançamentos da linha profissional da marca, em um evento que contou com uma apresentação de Ana.

A colaboração mostra uma faceta que ganhou espaço na trajetória da PikurruchA’S: a confeitaria como campo de criação.
É um movimento que acompanha a própria evolução do negócio. A identidade visual, os doces e a experiência criada nas lojas passaram a funcionar como uma plataforma para diferentes projetos e marcas.
O próximo passo é Moema

Aos 13 anos, a PikurruchA’S se prepara para inaugurar uma nova unidade em Moema, na zona sul de São Paulo. Mas a expansão da empresa já não é pensada apenas em número de lojas.
A marca criou a Piku Experience, frente educacional voltada a empreendedores da confeitaria, além de trabalhar com festas e eventos, produtos próprios, novos canais de venda e a fábrica.
"São Paulo ainda tem muito espaço para a PikurruchA’S. No próximo mês, inauguraremos nossa unidade de Moema, levando a marca para uma região estratégica da cidade", afirmam os fundadores.
A empresa também enxerga oportunidades em outras cidades e mercados, mas a estratégia é avançar com consistência. "Hoje já entendemos que o nosso crescimento não acontece apenas por meio da abertura de novas lojas."
A mudança é significativa. A empresa que começou com dois sócios fazendo brigadeiros para o próprio casamento passou a reunir varejo, produção, educação, eventos e desenvolvimento de produtos. Quando questionados sobre os próximos passos, uma resposta que mostra que os sonhos e objetivos são grandes: "O próximo passo da PikurruchA’S não é simplesmente abrir mais lojas: é ampliar todas as formas pelas quais podemos compartilhar nosso conhecimento, nossos produtos e a experiência que construímos nesses 13 anos."


