De dark kitchen a 30 mil tortas por mês: os 14 anos da Torteria
Após 14 anos de mercado, marca projeta faturamento de R$ 15 milhões em 2026 e celebra o aniversário com uma collab com a chef Renata Vanzetto

Há 14 anos, a Torteria nasceu com uma ideia bastante simples, mas pouco comum para a época: transformar a torta, tradicionalmente associada a um lanche ou acompanhamento, em protagonista da mesa. O que começou como uma única dark kitchen em Perdizes hoje comercializa cerca de 30 mil tortas por mês e se prepara para uma nova fase de expansão.
À frente do negócio estão os sócios-fundadores Juliana Mangione e Fernando Martins, que também é chef da marca. Ao longo de mais de uma década, a empresa passou por diferentes formatos de operação, mudanças no comportamento do consumidor, a chegada dos aplicativos de delivery e, agora, a incorporação de novas tecnologias à gestão.

Da dark kitchen às lojas
Quando a Torteria começou, o delivery ainda funcionava de uma maneira muito diferente. A marca nasceu em uma única dark kitchen em Perdizes, dedicada exclusivamente às entregas, em uma época em que o iFood sequer existia.
A operação começou de maneira enxuta e, pouco depois, os sócios perceberam que os clientes queriam mais do que receber as tortas em casa. A primeira unidade, em Higienópolis, surgiu inicialmente como cozinha e ponto de retirada. Com os pedidos dos próprios consumidores, algumas mesas foram colocadas no espaço e nasceu o primeiro modelo de loja-restaurante da marca.
A resposta foi rápida. Segundo Juliana, em apenas quatro meses de operação em Higienópolis, a Torteria cresceu 400%, além de registrar filas na porta e conquistar uma clientela fiel.
Ao longo dos anos, a marca abriu novos endereços e passou a trabalhar com diferentes formatos. Hoje, são quatro unidades voltadas ao público em Higienópolis, Morumbi, Pinheiros e Itaim, além da fábrica inaugurada no ano passado em um terreno de mil metros quadrados, que também abriga uma dark kitchen.
O Itaim funciona como a flagship da marca, enquanto o endereço do Morumbi ganhou um formato mais enxuto, voltado principalmente para delivery e produtos para levar. A estratégia acompanha uma mudança importante na visão dos sócios: crescer não significa necessariamente repetir o mesmo modelo em todos os endereços.
30 mil tortas por mês
Atualmente, a Torteria comercializa aproximadamente 30 mil tortas por mês, considerando lojas, delivery, produtos para levar e parceiros B2B.
Entre os sabores mais vendidos estão as tortas de frango, que somam cerca de 6 mil unidades mensais. A marca trabalha hoje com duas versões principais: frango desfiado com Catupiry, finalizado com farofa de manteiga e ervas, e frango em cubos com cream cheese, limão-siciliano e molho de tomate.
Outro clássico é a torta de carne na cerveja preta, que vende aproximadamente 2 mil unidades por mês.
A ideia de trabalhar receitas conhecidas com algum elemento de surpresa está presente desde o início. Entre as primeiras criações estavam justamente combinações como carne na cerveja preta, frango em cubos com cream cheese e limão-siciliano e quiche de muçarela de búfala, tomate e manjericão.
Até o formato das tortas foi pensado para fugir do convencional. A marca adotou como característica as tortas retangulares, que facilitam o corte e mudam a apresentação à mesa. Embalagens e identidade visual também fizeram parte da construção da marca desde os primeiros anos.

O desafio de ser especialista em tortas
Ter um negócio focado em um único produto poderia parecer uma limitação, mas, para a Torteria, a especialização acabou se transformando em uma das principais forças da marca.
"Eu vejo o monoproduto muito mais como uma força de posicionamento do que como uma limitação", afirma Juliana. Para ela, os 14 anos permitiram construir conhecimento profundo sobre a categoria, desenvolver receitas e entender diferentes formatos e ocasiões de consumo.
A estratégia não foi ampliar indiscriminadamente o cardápio para atender a todos os gostos. Em vez disso, a Torteria passou a trabalhar com produtos complementares, como saladas, bolos, sobremesas e cafés.
No delivery e no modelo to go, a especialização se torna ainda mais evidente. A intenção de compra é objetiva e o consumidor já procura a marca por aquilo que ela se tornou conhecida por fazer.
O consumidor mudou
Se a torta continua sendo o centro do negócio, a forma de consumi-la mudou bastante em 14 anos. A chegada das redes sociais alterou a maneira como restaurantes e marcas de alimentação se comunicam. Depois, os aplicativos de delivery transformaram não apenas a relação com o consumidor, mas também a estrutura financeira das empresas, uma vez que as taxas pagas a essas plataformas podem chegar à casa dos 30%.
Para a Torteria, outro ponto importante foi a velocidade. No delivery, o tempo passou a fazer parte do produto: processos mais eficientes significam melhor experiência, avaliações mais positivas e maior possibilidade de recorrência.
Também mudaram as preferências alimentares. A busca por mais proteína e por opções sem glúten, sem lactose, vegetarianas e veganas levou a marca a criar a Linha Equilíbrio, que atualmente reúne seis opções salgadas e quatro doces.
A tecnologia é o próximo capítulo. A empresa estuda incorporar ferramentas de inteligência artificial à gestão para melhorar análise de dados, processos, controles e eficiência operacional. A ideia, no entanto, não é adotar tecnologia simplesmente por tendência. "IA precisa resolver um problema real do negócio e gerar ganho de eficiência ou qualidade de decisão", explica Juliana.
Investimentos e planos de expansão
A transformação da Torteria também passa por investimentos. Nos últimos anos, a empresa destinou aproximadamente R$ 2,5 milhões a R$ 3 milhões à nova fábrica e cerca de R$ 600 mil à flagship do Itaim. Para 2026, a projeção é alcançar faturamento entre R$ 14 milhões e R$ 15 milhões.
Mais do que crescer em receita, porém, a empresa afirma estar em um momento de fortalecimento da estrutura interna, com investimentos em pessoas, novas lideranças, governança, processos e controle de custos. O próximo passo envolve diferentes modelos de expansão, incluindo a possibilidade de franquias e operações com sócios-operadores. A Torteria também estuda formatos distintos, de quiosques menores, focados em delivery e to go, a lojas completas.

É dentro desse movimento de renovação que surge a parceria com Renata Vanzetto para celebrar os 14 anos da marca. Cliente da Torteria, a chef se uniu a Fernando Martins para criar uma receita a quatro mãos. A iniciativa inaugura um formato de collab que a marca pretende desenvolver com outros nomes da gastronomia.
A experiência não é exatamente inédita. Em 2025, a Torteria trabalhou com Nininha Lacombe, que participou, ao lado de Fernando, do desenvolvimento dos produtos da Linha Equilíbrio. Com Renata, porém, a proposta ganha outro formato: transformar uma receita da chef em uma torta.
O resultado com Renata foi batizado de Meu Frango Virou Torta. A receita leva frango em cubos com molho cremoso de cogumelos à base de shoyu, cebolinha e raspas de limão-siciliano, além de um molho cremoso picante servido à parte. A parceria também brinca com a identidade dos negócios da chef, que costuma batizar seus estabelecimentos com nomes iniciados pela letra "M".
A Meu Frango Virou Torta estará disponível de 16 de setembro a 16 de outubro nas unidades da Torteria, pelo delivery e também no Mimada Café, um dos endereços comandados por Renata em São Paulo.
E os próximos 14 anos...

Se os primeiros 14 anos foram dedicados a provar que uma torta poderia ocupar o centro da mesa, os próximos devem ser marcados pela expansão da empresa.
A Torteria trabalha com a possibilidade de novos formatos de operação e novas marcas desenvolvidas a partir da estrutura construída até aqui. A meta, segundo Juliana, é chegar aos próximos 14 anos como uma empresa maior, mais robusta e presente em diferentes regiões do Brasil, sem abrir mão daquilo que considera o principal ativo da marca: a qualidade do produto. "Independentemente do tamanho que a Torteria alcance, qualidade, consistência e cuidado com o que entregamos continuarão sendo inegociáveis."


