Latin America's 50 Best: El Chato é o melhor restaurante da América Latina

Seis restaurantes do Brasil entraram para a lista dos 50 melhores da América Latina, com destaque para o paulistano Tuju, na 8ª posição

CNN Viagem & Gastronomia, do Viagem & Gastronomia
Chefs brasileiros na cerimônia do Latin America's 50 Best Restaurants 2025
Chefs brasileiros na cerimônia do Latin America's 50 Best Restaurants 2025, em Antigua, na Guatemala  • Divulgação
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Os 50 melhores restaurantes da América Latina em 2025 foram revelados nesta terça-feira (2) durante cerimônia do Latin America's 50 Best Restaurants, que reuniu chefs e personalidades gastronômicas na cidade de Antigua, na Guatemala.

Ao todo, seis restaurantes brasileiros estão contemplados em alguma posição entre o 1º e o 50º lugar. O endereço nacional mais bem colocado foi o Tuju, na 8ª posição, que recebeu o prêmio de Melhor Restaurante do Brasil em 2025.

O Brasil ainda brilhou com prêmios especiais: as chefs Tássia Magalhães, do Nelita, e a chef confeiteira Bianca Mirabili, do Evvai, gaharam os prêmios de Melhor Chef da América Latina e Melhor Chef Confeiteira de 2025, respectivamente.

Neste ano, a distinção de melhor restaurante da América Latina ficou com o El Chato, em Bogotá, na Colômbia.

Brasileiros entre os 50 melhores da América Latina

O Tuju, reaberto em 2023 em um imóvel de três andares próximo da Faria Lima, em São Paulo, ficou na 8ª posição da lista. Quem está à frente da cozinha é o chef Ivan Ralston, que trabalha com menus degustação baseados em produtos e sabores brasileiros sazonais, especialmente os de sotaque paulista, tudo apoiado por estudos da pesquisadora Katherina Cordás.

Em seguida, o Nelita ficou no 12º lugar. Situado em uma pequena casa em Pinheiros, na capital paulista, o restaurante tem como força a chef Tássia Magalhães, que trabalha com uma equipe exclusivamente de mulheres, servindo uma cozinha autoral italiana por meio de menu degustação ou opções à la carte. Sobressaem-se massas artesanais e caseiras e uma ampla variedade de vegetais que podem, em várias ocasiões, ser as estrelas do prato.

Na 13ª posição, o Lasai, do chef Rafa Costa e Silva, ocupa uma pequena casa no Largo dos Leões, em Humaitá, na capital fluminense. O local acomoda cerca 10 comensais por noite e o menu cosmopolita prioriza criações com ingredientes cultivados em hortas próprias ou provenientes de pequenos agricultores nos arredores do Rio de Janeiro. Legumes, verduras, peixes frescos e carnes estão no foco.

No 20º lugar figurou o Evvai, em São Paulo. O restaurante italiano contemporâneo e autoral é liderado pelo chef Luiz Filipe Souza, que trabalha com sua cozinha “oriundi”, proposta italiana integrada à cultura e aos produtores brasileiros. A confeitaria fica por conta da chef confeiteira Bianca Mirabili, que segue o DNA do endereço ao sair do óbvio com suas criações.

A Casa do Porco conquistou a 25ª posição. No ano passado, o chef Jefferson Rueda reassumiu a cozinha do endereço no centro da capital paulista e, desde então, tem elaborado novos menus degustação. O atual é o Porco D.O.C ("denominação de origem caipira", um trocadilho com denominação de origem controlada), que celebra os 10 anos do restaurante.

Por fim, o carioca Oteque conquistou o 38º lugar. Capitaneado pelo chef paranaense Alberto Landgraf, o restaurante em Botafogo serve menus degustação pautados na sazonalidade, com base nos vegetais, frutos do mar e peixes frescos, em que os pratos podem mudar diariamente. A cozinha é integrada ao salão de pegada industrial e apenas seis mesas são servidas por noite.

Top 10 melhores restaurantes da América Latina

O El Chato, em Bogotá, na Colômbia, lidera a lista dos 50 melhores restaurantes. Pilotado pelo chef Álvaro Clavijo, ele faz uso de ingredientes locais e regionais, com matérias-primas das redondezas para dar vida a receitas e técnicas que extrapolam as fronteiras da Colômbia por meio de menus degustação.

O Kjolle, em Lima, no Peru, veio na segunda colocação. Inaugurado em 2018, o restaurante é vizinho ao Central, eleito o melhor restaurante do mundo pelo The World's 50 Best Restaurants. À mesa, a chef Pía León propõe uma viagem pela rica biodiversdade do Peru por meio de pratos que valorizam ingredientes locais e indígenas, assim como uma extensa pesquisa de território. As criações são um espetáculo de cores, texturas e ingredientes pouco conhecidos fora — e muitas vezes dentro — do país.

Fechando o pódio, o argentino Don Julio é liderado pelo empresário e sommelier Pablo Rivero. A casa em Palermo é uma das paradas obrigatórias em Buenos Aires e tem a sazonalidade, a maturação, a charcutaria e os vinhos argentinos no foco da operação.

Confira os 10 melhores restaurantes do Latin America's 50 Best Restaurants 2025:

  1. El Chato (Bogotá, Colômbia) - Melhor Restaurante da América Latina
  2. Kjolle (Lima, Peru) - Melhor Restaurante do Peru
  3. Don Julio (Buenos Aires, Argentina) - Melhor Restaurante da Argentina
  4. Mérito (Lima, Peru)
  5. Celele (Cartagena, Colômbia)
  6. Boragó (Santiago, Chile) - Melhor Restaurante do Chile
  7. Quintonil (Cidade do México, México) - Melhor Restaurante do México
  8. Tuju (São Paulo, Brasil) - Melhor Restaurante do Brasil  
  9. Cosme (Lima, Peru) - Restaurante que mais subiu posições em relação ao ano passado
  10. Nuema (Quito, Equador) - Melhor Restaurante do Equador

Confira o ranking completo do Latin America’s 50 Best Restaurants 2025 no site.

Lista ampliada

Ambiente do Origem, em Salvador, na 52ª colocação do Latin America's 50 Best Restaurants • Leonardo Freire
Ambiente do Origem, em Salvador, na 52ª colocação do Latin America's 50 Best Restaurants • Leonardo Freire

Em novembro, o Latin America's 50 Best Restaurants divulgou a lista ampliada com os melhores restaurantes da América Latina, que compreende endereços entre as posições 51 e 100.

Um total de 10 restaurantes do Brasil ficou entre o 51º e o 100º lugar. Na seleção, o Origem, em Salvador, ficou na 52ª posição e é liderado pelos chefs Fabrício Lemos e Lisiane Arouca.

Os outros destaques do Brasil foram: Kotori (55ª); Metzi (56ª); Oseille (65ª); Maní (67ª); Cepa (73ª); D.O.M. (74ª); Manu (80ª); Notiê (93ª); e Restaurante Manga (99ª).

Prêmios especiais

Chef Tássia Magalhães, à frente do Nelita, ganhou prêmio de Melhor Chef da América Latina em 2025  • Divulgação
Chef Tássia Magalhães, à frente do Nelita, ganhou prêmio de Melhor Chef da América Latina em 2025  • Divulgação

A cerimônia também foi marcada por prêmios especiais, incluindo títulos previamente anunciados e outras novidades. Dois destaques foram do Brasil: o título de Melhor Chef Feminina de 2025 foi entregue a Tássia Magalhães, que comanda o italiano Nelita, em São Paulo.

A premiação destacou que a chef se tornou uma voz inspiradora no cenário culinário da América Latina, liderando uma equipe totalmente feminina e criando pratos refinados que mesclam tradições italianas com ingredientes brasileiros.

Já a distinção de Melhor Chef Confeiteira foi entregue a Bianca Mirabili, responsável pela confeitaria do premiado restaurante paulistano Evvai. O Latin America's 50 Best exaltou seu rigor técnico e sua expressão artística, que "coexistem sem esforço" e que moldam uma "confeitaria singular".

O Kjolle, restaurante da chef Pía León em Lima, no Peru, ganhou o Art of Hospitality Award, distinção que destaca a excelência do restaurante em relação à experiência do cliente e ao atendimento.

O troféu do Champions of Change Award, que reconhece e celebra indivíduos do setor de hospitalidade que promovem ações positivas em suas comunidades, foi para Inés Páez Nin, conhecida como Chef Tita, que comanda o restaurante Aguají, na República Dominicana.

O chef Nicolas Solanilla subiu no palco para receber o One To Watch Award, atribuído ao restaurante Ana, na Cidade da Guatemala. O prêmio coloca em evidência negócios em ascensão, que possuem potencial excepcional e uma trajetória promissora.

O restaurante Oda, em Bogotá, na Colômbia, ganhou o prêmio de sustentabilidade. A distinção honra estabelecimentos onde práticas sustentáveis são o foco da operação, incluindo práticas ambientais e sociais responsáveis. A casa apareceu na 76ª posição da lista ampliada.

O ganhador de Melhor Sommelier da América Latina foi o argentino Maximiliano Pérez, head sommelier do El Mercado, em Buenos Aires. Seu trabalho é evidenciado por priorizar pequenos produtores do país.

O prêmio de Ícone do Ano foi entregue a Rodolfo Guzmán, chef por trás do Boragó, em Santiago, no Chile. O chef foi elogiado pelo trabalho com produtos chilenos nativos e pelo apoio aos produtores locais.

O Chef’s Choice Award, único prêmio votado pelos colegas de profissão e que homenageia a contribuição positiva do chef no cenário global no último ano, foi para Alejandro Chamorro, que lidera o Nuema, em Quito, no Equador, ao lado da chef confeiteira Pía Salazar.

O restaurante que mais avançou posições na lista foi o Cosme, em Lima, no Peru, que subiu 28 posições no ranking em comparação com a lista do ano passado.

O Casa las Cujas, em Santiago, foi o restaurante que alcançou a colocação mais alta como um nome estreante na lista, ficando no 14º lugar.

Como funciona a votação

O Latin America's 50 Best Restaurants é organizado pela William Reed, mesma empresa por trás de outras listas renomadas, como o The World's 50 Best Restaurants, Asia's 50 Best Restaurants, Middle East and North Africa's 50 Best Restaurants e North America's 50 Best Restaurants, além de rankings de melhores hotéis, bares e vinhedos.

O Latin America's 50 Best Restaurants é feito com base nas opiniões e experiências de 300 profissionais ligados ao setor gastronômico, incluindo jornalistas, críticos gastronômicos, chefs e restaurateurs.

Os votantes compõem a Academia dos 50 Melhores Restaurantes da América Latina, dividida em cinco regiões: México; América Central; norte da América do Sul; sul da América do Sul; e Brasil. Os países contemplados são: Argentina, Belize, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana Francesa, Guatemala, Guiana, Honduras, México, Nicarágua, Panamá, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela.

A lista é o resultado da contagem de votos dos membros da Academia. A votação é confidencial e cada membro pode votar em até 10 restaurantes, dos quais pelo menos quatro devem estar fora de seu país. Se o votante não viajou internacionalmente nos 18 meses anteriores à votação, ele deve votar apenas em seis restaurantes de seu próprio país.

Os votos são em ordem de preferência e os membros não podem indicar restaurantes em que sejam proprietários ou que tenham participação financeira. A premiação explica que qualquer restaurante da América Latina é elegível, a menos que esteja fechado ou que deixará de funcionar em breve. Os dados e o processo de votação são auditados por uma empresa externa.

 

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