Terrazas de los Andes: uma jornada pelos terroirs de altitude de Mendoza
Entre vinhedos de altitude, gastronomia, hospedagem e experiências personalizadas, a vinícola revela como a Cordilheira dos Andes influencia cada taça

Em Mendoza, não faltam vinícolas para visitar. São mais de mil bodegas espalhadas pela província, muitas delas abertas ao enoturismo, com degustações, restaurantes e paisagens que têm a Cordilheira dos Andes como pano de fundo. Em meio a tantas opções, a Terrazas de los Andes, vinícola que faz parte do conglomerado francês de luxo LVMH, encontrou justamente na montanha seu maior diferencial, onde, mais do que apresentar rótulos premiados ou abrir as portas de uma adega centenária, a visita convida a entender como altitude, solo, clima e biodiversidade moldam o vinho desde as plantações até a taça.
Essa filosofia acompanha a história da casa desde sua fundação, há pouco mais de três décadas. Em vez de concentrar seus vinhedos em uma única região, a Terrazas percorreu Mendoza em busca dos melhores terroirs de altitude, apostando em áreas que, na época, ainda despertavam dúvidas entre produtores locais. A proposta era mostrar que a Cordilheira dos Andes não seria apenas a paisagem ao redor dos vinhedos, mas a principal responsável pela identidade de cada vinho.

Hoje, esse trabalho se traduz em vinhedos cultivados entre mil e 1.650 metros de altitude, distribuídos por mais de 200 parcelas em diferentes regiões da província. O resultado consolidou a Terrazas de los Andes como uma das grandes referências argentinas em vinhos de montanha, com uma produção de cerca de 2,7 milhões de garrafas por ano.
O mais interessante é perceber que essa filosofia vai muito além do discurso dos enólogos. Ela aparece em praticamente todas as experiências oferecidas ao visitante, que consegue compreender na prática como pequenas variações de altitude, temperatura e solo são suficientes para transformar completamente o perfil de um vinho.
Da montanha à taça
Toda essa teoria ganha sentido quando a degustação começa. O Malbec, principal símbolo da casa, é o exemplo mais evidente dessa proposta. Enquanto os vinhedos históricos de Las Compuertas produzem vinhos de perfil elegante, floral e sedoso, áreas mais altas, como Gualtallary e El Espinillo, entregam rótulos marcados por maior frescor, acidez e mineralidade. Comparar essas diferentes interpretações durante a degustação é uma das formas mais claras de compreender a influência da montanha sobre o vinho.

Mas a Terrazas de los Andes não vive apenas de Malbec. Nos últimos anos, o Chardonnay de altitude ganhou protagonismo graças às condições encontradas nas regiões mais elevadas de Mendoza, capazes de preservar tensão, frescor e textura. Um dos destaques é o Grand Chardonnay, elaborado com uvas de Caicayén e El Espinillo, considerado um dos rótulos mais representativos da vinícola.
O portfólio acompanha essa lógica. A linha Reserva reúne uvas de diferentes terroirs para expressar o estilo da casa. A Grand nasce das melhores parcelas de cada safra, enquanto a Parcel evidencia microterroirs específicos, ressaltando as características de um único vinhedo. No topo da pirâmide está a linha Extremo, que representa o ápice dessa busca por terroirs de altitude. Seu principal rótulo, o Extremo Malbec, é produzido com uvas de El Espinillo, em Gualtallary, a 1.650 metros de altitude, o vinhedo mais alto da região. Ali, geadas frequentes, ventos intensos, forte incidência solar e grande amplitude térmica entre o dia e a noite tornam o cultivo particularmente desafiador e favorecem uma maturação mais lenta, preservando frescor, tensão e pureza aromática.

Enoturismo com Terrazas de Los Andes
Depois de conhecer a teoria por trás dos vinhos de altitude, é hora de experimentar essa história de perto. Em Luján de Cuyo, a Terrazas de los Andes ocupa uma antiga construção espanhola do final do século XIX e transformou o espaço em um pequeno refúgio para quem quer desacelerar entre uma taça e outra. São apenas seis quartos, todos para até duas pessoas, espalhados pela antiga casa de hóspedes da vinícola. A proposta é mais próxima de uma hospedagem intimista do que de um hotel tradicional: os jardins, o café da manhã à la carte e a própria arquitetura da propriedade fazem parte da experiência — e ajudam a criar aquela sensação rara de não estar simplesmente visitando uma vinícola, mas passando alguns dias dentro dela.

Para quem vem apenas passar o dia, as experiências também fogem do roteiro básico de "tour + degustação". As diferentes propostas foram pensadas para mostrar, na prática, como os terroirs de Mendoza aparecem no vinho. Na experiência Frescura dos Andes, por exemplo, a comparação entre diferentes rótulos ajuda a perceber o papel da altitude e do clima; já Grand: Blend de Terroir coloca em evidência a combinação de parcelas e regiões que dá origem aos grandes vinhos da casa. Há ainda a experiência Safras Memoráveis, voltada à evolução dos vinhos ao longo do tempo. E a gastronomia entra como parte importante do passeio, com menus harmonizados, pratos de inspiração andina, experiências ao ar livre nos jardins e preparos que valorizam ingredientes locais.
Para quem busca algo além da tradicional degustação, a Terrazas de los Andes também oferece experiências personalizadas, pensadas para diferentes ritmos e estilos de viagem. É possível sobrevoar os vinhedos de helicóptero, pedalar entre as plantações ou optar por um romântico piquenique ao pôr do sol, cercado pelas videiras e pela paisagem dos Andes. A ideia é transformar cada visita em uma experiência única, seguindo o lema: "Fazemos acontecer!"



