Palácio das Laranjeiras reabre visitas e revela acervo histórico e luxuoso
Imóvel histórico no Rio de Janeiro reúne arquitetura inspirada em palácios europeus e obras raras; agendamentos podem ser realizados a partir de junho

O Palácio das Laranjeiras, fechado desde 2020, voltará a abrir as portas para visitação pública. As primeiras visitas à sede oficial do governo do Rio de Janeiro ocorreram durante o mês de maio, quando o palacete recebeu grupos de estudantes da rede pública estadual e instituições selecionadas pelo Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac). O público geral poderá reservar visitações a partir de junho.
As visitas foram suspensas durante a pandemia de Covid-19 e não haviam sido retomadas desde 2020. Segundo o governo estadual, a decisão de reabrir o local faz parte de uma estratégia de valorização de patrimônios históricos e culturais do Rio de Janeiro.
"A iniciativa segue a estratégia do Governo do Estado de abrir e ativar espaços públicos, a exemplo do MIS Copacabana", disse o Governo do Estado do Rio de Janeiro em comunicado. Ainda não há informações sobre o meio pelo qual o público poderá realizar os agendamentos.
O monumento histórico está localizado no bairro de Laranjeiras, na cidade do Rio de Janeiro, e encontra-se tombado pelo Inepac e pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Foi construído entre 1909 e 1913 para servir de residência da família Guinle, uma das dinastias empresariais mais importantes da história do país.
O projeto arquitetônico do Palácio das Laranjeiras ficou a cargo do francês Joseph Gire, nome conhecido por também assinar obras icônicas da cidade carioca, como o Belmond Copacabana Palace e o Hotel Glória.
Inspirado nos palácios europeus do início do século 20, o edifício combina referências neoclássicas com salões luxuosos, escadarias monumentais, jardins amplos e uma decoração marcada por mármore, lustres e obras de arte que refletem o desejo que a elite carioca da época tinha de reproduzir o luxo dos palacetes europeus.
Em 1946, o imóvel foi adquirido pela União e transformado em residência presidencial. Foi ali que presidentes como Juscelino Kubitschek e João Goulart passaram temporadas importantes da política nacional.
O Palácio das Laranjeiras foi doado ao Estado do Rio de Janeiro em 1974 pelo presidente da época, Ernesto Geisel, sob a condição de que continuasse funcionando como residência oficial dos governadores do estado.
Rico acervo para visitação

O local reúne um acervo considerado valioso. O interior abriga móveis históricos, porcelanas, tapeçarias, esculturas e pinturas que ajudam a contar diferentes fases da história republicana brasileira. Os jardins e áreas externas também chamam a atenção pela preservação paisagística e pela vista privilegiada da região das Laranjeiras.
O palácio foi construído em meio ao atual Parque Guinle, cercado por jardins com lagos artificiais, pequenos córregos e áreas verdes planejadas para criar um cenário semelhante aos castelos europeus. A posição elevada do terreno permitia uma vista privilegiada para a Baía de Guanabara e para o Pão de Açúcar.
Entre os destaques do acervo estão pinturas do artista holandês Frans Post, conhecido por retratar paisagens do Brasil colonial no século XVII. Também fazem parte do acervo quadros atribuídos a nomes importantes da pintura europeia, como Nicolas-Antoine Taunay e Moretto da Brescia.
O palácio ainda preserva móveis franceses e brasileiros de alto padrão, produzidos entre os séculos XIX e XX. Há mesas entalhadas, poltronas revestidas em tecidos nobres, aparadores decorativos e peças feitas sob encomenda para a família Guinle. O interior possui mosaicos de mármore e cerâmica com aplicações de ouro 24 quilates, além de esculturas, lustres importados, vitrais franceses e acabamentos em bronze.
Entre os itens mais curiosos do acervo está uma réplica do piano que teria pertencido à rainha Maria Antonieta, figura histórica da monarquia francesa.
Entre as atrações do edifício, há um banheiro todo com peças esculpidas em blocos de mármore Carrara, móveis franceses que remetem à Belle Époque e o primeiro elevador elétrico instalado no Brasil.
A escrivaninha onde governadores despacham é uma réplica da usada por Luís XIV, no Palácio de Versalhes, na França. Entre as pinturas, a mais emblemática é a que retrata o Rei Sol, por Rigaud (1659-1743).
Palácio das Laranjeiras
Rua Paulo César de Andrade, 407 — Laranjeiras, Rio de Janeiro - RJ / Fique de olho nos canais oficiais do governo do estado para mais informações.


