New York Café, em Budapeste: conheça um dos cafés mais bonitos do mundo
Com mais de 130 anos, endereço é um dos símbolos da capital húngara, com trajetória profundamente ligada à literatura e à vida artística do país europeu

New York Café, em Budapeste, é considerado um dos cafés mais bonitos do mundo. Não à toa, todos os dias, uma longa fila toma conta de uma esquina da Erzsébet körút, uma das principais avenidas do centro da cidade. A poucos minutos de atrações como a Grande Sinagoga e a Ópera Estatal Húngara, viajantes de diferentes nacionalidades aguardam por uma mesa.
Mais do que uma paradinha para um café ou um doce, o endereço se consolidou como um cartão-postal da capital húngara, daqueles que não podem faltar no roteiro de quem visita Budapeste pela primeira vez.
Inaugurado em 1894, o New York Café foi projetado para impressionar. Construído em estilo renascentista italiano com influências ecléticas, o endereço exibe grandes lustres reluzentes, tetos cobertos por afrescos, colunas de mármore, esculturas ornamentais e detalhes dourados que nos transportam para a grandiosidade da Belle Époque.
Sentar-se em uma das mesas e provar clássicos da culinária húngara enquanto contemplamos a opulência do salão ajuda a entender por que o New York Café foi reduto de artistas, intelectuais e integrantes da aristocracia em seus dias de glória.
Foi exatamente o que fiz para a 13ª temporada do CNN Viagem & Gastronomia, que, em breve, chega à tela da CNN Brasil com episódios especiais mostrando a fascinante harmonia entre o clássico e o moderno de Budapeste.
Auge, decadência e renascimento

Em seu auge, jornais influentes eram editados aqui, no andar superior da galeria. Além de escritores, o endereço também era frequentado por jovens talentos sem dinheiro, que tinham a esperança de conseguir uma refeição oferecida por clientes abastados. Em troca, escreviam poemas, cartas ou prestavam pequenos serviços.
Reza a lenda que, na inauguração, um grupo de intelectuais lançou as chaves do estabelecimento no Danúbio em um ato simbólico para que nunca fechasse as portas. O café, porém, não escapou da história. Durante a Segunda Guerra Mundial, entrou em decadência e acabou fechando. O espaço chegou a funcionar como uma loja de artigos esportivos — difícil imaginar todo esse esplendor vendendo sapatos.
Para a nossa sorte, reabriu em 2006 após uma restauração que resgatou a alma do fim do século XIX. Grande parte da decoração que vemos hoje é original, embora tenha passado por um processo de restauro. Em um dos afrescos, por exemplo, foi acrescentada a Estátua da Liberdade.
Esse renascimento foi celebrado em 2014, quando funcionários repetiram o gesto da inauguração e lançaram novamente chaves no Danúbio. Quem passa pelo lado de fora do New York Café pode procurar por um detalhe curioso: uma pequena estátua na calçada homenageia o mergulhador que teria recuperado a chave do rio.

Entre histórias e delícias
Hoje, o local tem capacidade para receber cerca de duas mil pessoas diariamente. À mesa, o menu reflete tradições húngaras por meio de cafés da manhã, pratos típicos, doces e bebidas.
Não deixe de pedir docinhos típicos, como o Somlói Galuska, feito com pão de ló, creme, nozes, chocolate, rum e chantili, que nos dá um gostinho da infância húngara; ou o bolo Dobos, que leva diversas camadas finas de pão de ló e creme de manteiga de chocolate, finalizadas com uma cobertura de caramelo crocante.
Para quem quiser ir além, o cardápio tem pratos mais robustos, como goulash de carne, espécie de sopa de carne bovina temperada com páprica e servida com uma pequena massa artesanal; e frango à páprica, cozido em molho cremoso à base de páprica e servido com galuska, pequenos nhoques húngaros.
Também há o Vadas Marha Pofa, clássico da culinária húngara, uma bochecha bovina cozida lentamente, servida com molho à base de vegetais, mostarda e creme. Os preços dos pratos variam entre 14 e 44 euros, entre R$ 81 e R$ 256.
Para mergulhar de vez, escolha bebidas tipicamente húngaras, como uma dose de Pálinka, destilado de frutas da Hungria; uma taça de vinho Tokaji, vinho doce húngaro produzido na região de Tokaj; ou o "24 carat gold New York Hungarian coffee", preparado com café espresso, vinho doce, mel e chantili.
Café mais bonito do mundo
O prestígio do New York Café atravessou fronteiras nas últimas décadas. Em 2011 e 2012, foi eleito o "café mais bonito do mundo" pelo U City Guide. Três anos depois, recebeu o Prêmio de Marca de Budapeste, concedido pela Assembleia Geral da capital húngara.
O interessante é que a vocação cultural ainda persiste por aqui, já que o café recebe apresentações diárias de piano e, nos intervalos, músicos da banda Gypsy Band assumem o ambiente. Para tentar uma mesa, prepare-se: as reservas são aceitas apenas para o jantar, após as 18h. No restante do dia, as mesas são ocupadas por ordem de chegada, o que explica as filas na entrada.
O New York Café funciona no térreo do Anantara New York Palace Budapest, hotel cinco estrelas instalado no edifício erguido no fim do século XIX para servir de sede à New York Insurance Company na Hungria.
Sobrevivente de guerras, mudanças de regime político e profundas transformações urbanas, é bonito ver de perto como o local atravessou mais de um século de história e se reinventou diversas vezes. Sua essência, porém, continua aqui: é um lugar de encontros e um dos cenários mais emblemáticos de Budapeste.
Cartões-postais de Budapeste

Como poucas cidades no mundo, Budapeste mescla a grandiosidade de seu passado imperial com uma cena contemporânea vibrante. Cortada pelo rio Danúbio, a capital reúne monumentos históricos, cafés centenários e uma vida cultural que não deixa ninguém parado.
Além do New York Café, entre os "imperdíveis de Budapeste" destaco o Castelo de Buda, que abriga o Museu de História de Budapeste e a Galeria Nacional Húngara; o Bastião dos Pescadores, um dos mirantes mais bonitos da cidade e que parece ter saído de um conto de fadas; a gótica Igreja de Matias; a imponente Basílica de Santo Estêvão; a elegante Ópera Estatal Húngara; e a Avenida Andrássy, um dos principais bulevares da capital e Patrimônio Mundial da Unesco.
Adicione ao roteiro a monumental Praça dos Heróis, que representa a formação da nação húngara; a Ponte das Correntes, primeira ligação permanente entre ambas as margens da cidade; a Grande Sinagoga, no coração do Bairro Judeu e a maior da Europa; e a Casa do Terror (Terror Háza), museu na antiga sede da polícia secreta húngara que retrata crimes cometidos pelos regimes nazista e comunista.
Ao anoitecer, vale reservar um passeio de barco pelo Danúbio. Das águas, é possível admirar as margens históricas e ver o Parlamento iluminado. É um passeio que guardo com carinho.
Para comer, já coloque na lista o retrô Menza, do chef László Csizmazia, recheado de pratos típicos; o Felix Kitchen & Bar, que ocupa um edifício de fachada neorrenascentista construído para bombear água até o Palácio Real; o Gundel, clássico restaurante húngaro; e o Urban Betyár, com direito a espaço expositivo dedicado à cultura popular do país.
Entre os estrelados, considere o Rumour by Rácz Jenő e o Borkonyha Winekitchen. Para beber, o Hotsy Totsy é um speakeasy que combina atmosfera vintage com uma carta de coquetéis criativos. Também recomendo o Szimpla Kert, o mais famoso dos "ruin bars" (bares em ruínas) de Budapeste e símbolo da vida noturna da cidade.


