Dólar fecha em alta, a R$ 4,71, e Ibovespa cai com ata do Fed e sanções contra Rússia

Moeda norte-americana teve a maior alta percentual diária desde 14 de março de 2022, após banco central dos EUA ter tom mais duro contra inflação

João Pedro Malardo CNN Brasil Business*

em São Paulo

Ouvir notícia

O Ibovespa fechou em queda de 0,55%, a 118.227 pontos, nesta quarta-feira (6), seguindo as bolsas do exterior e puxado para o menor patamar em duas semanas principalmente por ações de bancos, tecnologia, viagens e de varejo. O resultado refletiu as preocupações dos investidores com novas sanções contra a Rússia e a divulgação da ata do Fed.

Beneficiado por esse cenário, o dólar subiu 1,21%, a R$ 4,714, em um dia positivo ao redor do mundo e na maior alta percentual diária em relação ao real desde 14 de março de 2022, mas ainda no menor valor desde 9 de março de 2020. Em dois dias, a alta acumulada é de 2,33%.

O principal índice da bolsa chegou a cair mais de 1% após a divulgação da ata da última reunião de política monetária do Federal Reserve. No texto, foi levantada pela primeira vez a possibilidade mais de uma de elevação de juros acima de 0,5 ponto percentual em 2022, além de um ritmo mais intenso na redução do balanço da autarquia.

A expectativa do mercado convergiu em torno de uma elevação de 0,5 ponto percentual na próxima reunião, em maio, enquanto a economia norte-americana enfrenta a maior inflação em mais de 40 anos. A alta, condicionada pelo Fed às condições da economia no próximo mês, tornaria a renda fixa dos Estados Unidos mais atrativa, retirando investimentos de mercados como o brasileiro.

Também esteve no radar a possibilidade de imposição de novas sanções contra a Rússia por parte da União Europeia e dos Estados Unidos, após um anúncio já feito nesta semana, em que o bloco europeu proibiu importação de carvão russo.

O alvo dessa vez seria o setor de gás e petróleo, o que pode elevar ainda mais os preços da commodity, piorar o cenário de inflação global e exigir uma política monetária global mais agressiva, uma perspectiva favorável ao dólar.

No Brasil, o mercado seguiu atento a possíveis novidades sobre as novas indicações do governo para a presidência e presidência do conselho da Petrobras, após as desistências de Adriano Pires e Rodolfo Landim. A expectativa é que os indicados não sejam críticos à política atual de preços da estatal. À CNN, o ministro de Minas e Energia disse que ainda não houve definição sobre os nomes.

Na terça-feira (5), o dólar subiu 1,10%, cotado a R$ 4,65, com o real tendo o terceiro pior desempenho entre as principais moedas do mundo. Já o Ibovespa recuou 1,97%, aos 118.885 pontos.

Petróleo

Desde a invasão da Ucrânia pela Rússia no dia 24 de fevereiro, os mercados de petróleo mostram a maior volatilidade em dois anos, com os preços da commodity chegando a bater níveis vistos pela última vez em 2008.

A commodity tem oscilado na faixa dos US$ 100 e US$ 110 nos últimos dias. Por um lado, o mercado espera uma demanda menor devido a novos lockdowns na China e à perspectiva de um ciclo de alta de juros maior nos Estados Unidos, o que desaceleraria a economia do país.

Ao mesmo tempo, qualquer novidade sobre a guerra influencia os preços, alimentando ou reduzindo temores de problemas na oferta e afetando a cotação.

Porém, se comparado com anos anteriores, o petróleo segue em valores elevados e subiu mais de 30% no primeiro trimestre, devido ao descompasso entre oferta e demanda da commodity, com os principais produtores, reunidos na Opep+, ainda não retomando os níveis de produção pré-pandemia. O quadro foi intensificado com as tensões na Europa.

Commodities e real

A disparada nas commodities com o conflito no Leste Europeu favorece o mercado brasileiro, e seus efeitos têm ajudado a superar a aversão a riscos com a guerra na Ucrânia, o que beneficia o real até o momento.

O ciclo está ligado, em parte, à alta nos preços do petróleo e do minério de ferro devido à elevada demanda em meio à retomada econômica.

Ao mesmo tempo, os elevados juros no Brasil, a visão de ativos descontados na bolsa de valores e a saída de outros mercados emergentes se unem à alta das commodities e explicam a valorização do real neste ano.

Outro fator por trás desse movimento são as expectativas de mais medidas pró-crescimento na China que estão aumentando as esperanças de uma recuperação na demanda por metais, o que levou a altas nos preços, reforçadas com a crise na Ucrânia.

Porém, intervenções do governo chinês no mercado e um novo surto de Covid-19 no país com lockdowns ainda geram pressões de queda, em um sobe e desce na cotação, que continua em níveis elevados.

Guerra na Ucrânia

Acompanhe a cobertura ao vivo da CNN sobre o conflito.

Com a guerra na Ucrânia completando um mês, as forças ucranianas têm tentado recuperar território dos russos nos últimos dias, de acordo com um alto funcionário da defesa dos Estados Unidos — que os descreveu como “capazes e dispostos” a fazê-lo.

Rússia e Ucrânia tem realizado rodadas de negociação para tentar encerrar o conflito, mas ainda sem sucesso. O presidente ucraniano sinalizou que o país aceitaria um status de neutralidade, uma exigência russa, mas sem concessões territoriais, e a Rússia falou em avanços nas conversas.

Os países ocidentais implementaram novas sanções econômicas contra a Rússia após a divulgação de imagens de corpos de civis ucranianos abandonados na cidade de Bucha após a retirada de forças russas. A União Europeia proibiu a importação da carvão e a entrada de navios russos em portos do bloco, e cogita, junto com os Estados Unidos, restringir a importação de gás natural e petróleo da Rússia.

Do ponto de vista econômico, as sanções de maior impacto econômico para a Rússia estão ligadas à expulsão de bancos russos do Swift, um meio global de processamento de pagamentos.

*Com informações da Reuters

Mais Recentes da CNN