Michelin põe fim à Estrela Verde e amplia foco além da gastronomia

Após sinais de enfraquecimento desde o ano passado, selo de sustentabilidade da Michelin será descontinuado e dará lugar ao projeto editorial Mindful Voices, voltado à gastronomia, hotelaria e vinho

Tina Bini, do Viagem & Gastronomia
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A decisão do Guia Michelin de encerrar gradualmente a Estrela Verde não chega exatamente como surpresa para o setor. Desde o ano passado, movimentos da própria publicação já indicavam um enfraquecimento do selo de sustentabilidade, criado em 2020 para reconhecer restaurantes comprometidos com práticas ambientais e sociais responsáveis. Agora, o guia oficializa o que muitos profissionais da gastronomia já percebiam nos bastidores: a Estrela Verde vai desaparecer.

O anúncio foi feito nesta quarta-feira (20), junto ao lançamento do "Mindful Voices", uma nova plataforma editorial global do Michelin que pretende ampliar o olhar da marca para além da gastronomia, incorporando também hotelaria e vinho. A iniciativa será apresentada oficialmente em 1º de junho, durante a cerimônia do Guia Michelin dos países nórdicos, em Copenhague, na Dinamarca.

Criada há seis anos, a Estrela Verde surgiu como uma resposta do Michelin à crescente demanda por práticas mais responsáveis na gastronomia. O selo passou a reconhecer restaurantes comprometidos com iniciativas como redução de desperdício, rastreabilidade de ingredientes, valorização de pequenos produtores, sazonalidade, bem-estar animal e impacto social positivo. Em pouco tempo, tornou-se uma chancela relevante dentro da alta gastronomia global, ajudando a colocar sustentabilidade no centro das discussões do setor.

Nos últimos meses, porém, sinais de mudança já eram percebidos. Em cerimônias recentes, a Estrela Verde passou a ter menos protagonismo, enquanto o Michelin amplia investimentos em conteúdos ligados à hospitalidade, experiências de viagem e lifestyle. A expansão da marca para mais de 60 destinos, além do fortalecimento de suas recomendações de hotéis e vinho, reforçou a percepção de que a empresa buscava uma atuação menos centrada exclusivamente nos restaurantes.

Com o Mindful Voices, o Michelin afirma querer destacar não os lugares, mas as pessoas por trás deles. A plataforma terá como foco chefs, hoteleiros e produtores de vinho que estejam propondo novas formas de pensar gastronomia, hospitalidade e viticultura, compartilhando histórias, iniciativas e práticas consideradas inspiradoras.

Segundo Gwendal Poullennec, diretor internacional do Guia Michelin, o projeto nasce da observação direta feita pelos inspetores ao redor do mundo. Em comunicado oficial, ele afirmou que a proposta é “dar voz àqueles que estão reescrevendo as regras” em seus respectivos universos, ampliando o alcance dessas experiências para além das fronteiras locais.

Na prática, a mudança representa uma troca de lógica: sai um reconhecimento formal, objetivo e competitivo, concedido em forma de estrela, e entra uma plataforma editorial de curadoria, baseada em narrativas e exemplos inspiradores.

A implementação do novo projeto será gradual ao longo de 2026. Na Espanha e em Portugal, por exemplo, a Michelin informou que as Estrelas Verdes permanecerão válidas até as próximas cerimônias locais, quando serão oficialmente descontinuadas para dar espaço ao Mindful Voices.

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