Três estrelas Michelin no Brasil: chefs comentam conquista inédita
Pela primeira vez na América Latina, o Brasil tem dois restaurantes com a distinção máxima do guia, o Tuju e o Evvai
A gastronomia brasileira alcançou um marco histórico na noite de segunda-feira (13) durante a cerimônia do Guia Michelin Rio e São Paulo 2026, realizada no Belmond Copacabana Palace, na capital fluminense. Pela primeira vez na história da América Latina, restaurantes receberam a distinção máxima do guia: três estrelas Michelin. Os restaurantes são o Tuju e o Evvai, ambos em São Paulo.
Comandados respectivamente pelos chefs Ivan Ralston e Luiz Filipe Souza, os endereços passaram a integrar o seleto grupo global de pouco mais de 150 casas com a classificação máxima do guia, que representa uma cozinha excepcional.
Em entrevista à Daniela Filomeno, apresentadora do CNN Viagem & Gastronomia e fomentadora da gastronomia nacional, o chef Luiz Filipe Souza, do Evvai, destacou a importância do momento para o Brasil. "Acho que é um dia único, ímpar na história da gastronomia. E eu não vejo a hora de trazer mais gente para esse grupo."
Hoje, ter dois restaurantes três estrelas no país não representa só a evolução de um restaurante ou de um profissional. É um mercado que evoluiu. Os profissionais, os produtos e os produtores evoluíram muito. E só tende a melhorar
Ivan Ralston, do Tuju, demonstrou emoção ao receber o prêmio. "Tenho 40 anos hoje, então sou de uma geração que isso tinha um significado absurdo. Tínhamos duas estrelas desde 2018 e não conseguíamos ir para a terceira", revelou o chef.
Para ele, a conquista da cobiçada terceira estrela também reflete o trabalho de Katherina Cordás, sua parceira, que é responsável pelo núcleo de pesquisas do Tuju. "A gente reabriu o restaurante em 2023 e dois anos e meio depois conseguimos essa distinção", arrematou o chef.
Novos estrelados no Guia Michelin Rio e SP

Além dos dois novos restaurantes três estrelas, a outra grande novidade da noite ficou com a primeira estrela do Madame Olympe, restaurante de Claude Troisgros no Rio de Janeiro.
Além disso, seis casas entraram para a categoria Bib Gourmand, que aponta para boas cozinhas a um bom custo-benefício, e sete estrearam na categoria de Selecionados, estabelecimentos gastronômicos de qualidade reconhecidos pelo guia, mas que não receberam estrelas ou outra distinção.
A seleção dos restaurantes cariocas e paulistanos foi realizada de forma independente por uma equipe internacional de inspetores especializados e anônimos, que avaliaram os estabelecimentos segundo cinco critérios: qualidade dos ingredientes, harmonia dos sabores, domínio das técnicas culinárias, personalidade da cozinha e consistência ao longo do tempo.
Como novidade, o guia introduziu neste ano um prêmio de "coquetéis excepcionais", que valoriza e premia equipes de mixologia.
O Guia Michelin vai além do reconhecimento gastronômico, sendo também impulsionador do turismo e dos negócios locais, acompanhando o crescimento do turismo gastronômico global, que deve alcançar US$ 1,9 trilhão até 2031. Isso representa um avanço de 79% em relação a 2022, segundo o Allied Market Research.
"O guia também tem uma importância econômica gigante. E isso se reflete no turismo, pois a gastronomia é um dos pilares do setor. Este é o terceiro ano do Guia Michelin no país após seu retorno, e já renovamos para mais três anos a avaliação dos restaurantes no Rio de Janeiro", afirmou Daniela Maia, secretária de turismo do Rio de Janeiro.
Confira todos os destaques da cerimônia do Guia Michelin Rio e São Paulo 2026 na matéria.


