Teste às cegas de alfajores: produzidos no Uruguai e Argentina, qual leva a melhor?

A colunista Giuliana Nogueira convocou o confeiteiro Rafael Protti, da Crime Pastry Shop, para provar quatro iguarias dos países vizinhos; saiba o resultado e onde comer alfajores artesanais em Montevidéu

Alfajores degustados às cegas: Uruguai x Argentina
Alfajores degustados às cegas: Uruguai x Argentina Giuliana Nogueira

Giuliana Nogueiracolaboração para o Viagem & Gastronomia

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Na impossibilidade de levar um confeiteiro brasileiro comigo na última viagem para provar alfajores uruguaios, peguei na prateleira do mercado algumas opções que são facilmente encontradas em Montevidéu e trouxe cuidadosamente na mala de mão para que chegassem inteiros.

Como a proposta era trazer variedade de estilos, nem me toquei que dois deles eram argentinos. Sim, as prateleiras dos mercados uruguaios estão forradas de produtos do Mercosul.

De volta a São Paulo, convoquei o confeiteiro Rafael Protti, da Crime Pastry Shop, para fazer uma degustação às cegas de quatro alfajores industrializados. Além do teste dos industrializados, deixo também a dica dos meus alfajores artesanais favoritos para se comer na cidade de Montevidéu.

Para evitar polêmicas, lembro de antemão que essa iguaria foi criada pelos povos árabes, levada à Espanha e, provavelmente, chegou à Bacia da Prata trazida pelos imigrantes andaluzes. Assim, os alfajores não são nem argentino nem uruguaio, mas igualmente amado pelos dois países e com diversas variações em sua receita.

Os clássicos são os de maisena com recheio de doce de leite, o banhado com chocolate e recheado com doce de leite e o de doce de leite coberto com merengue, sempre entre duas camadas de biscoito ou, eventualmente, três (para os mais gulosos).

Isso não impede receitas com pasta de amendoim, recheio de chocolate, pistache, frutas vermelhas, até mesmo opções veganas ou sem glúten. No mercado ainda é possível encontrar uma versão que leva biscoito de arroz e alfarroba.

Resultados da degustação às cegas de alfajores

Embalagens dos quatro alfajores provados na degustação às cegas / Giuliana Nogueira

4º lugar: Milka Torta Oreo

Não vou mentir, já comi uma dezena desses, mas quando colocado na comparação, a versão alfajor do amado biscoito Oreo ficou em último lugar.

Reza a lenda que ele é composto com três camadas de biscoito Oreo, mais duas camadas de recheio de creme de leite e doce de leite, com uma cobertura de chocolate ao leite.

O recheio de doce de leite é visível, mas imperceptível no sabor, que fica coberto pelo gosto da essência de baunilha no recheio. Rafael Protti matou de cara: “é de uma marca de biscoito”.

3º lugar: Terrabusi Torta Triple

O mais econômico da degustação é outro clássico importado da Argentina. O alfajor com recheio de doce de leite, coberto com chocolate ao leite um pouco mais escurinho e com três camadas de biscoito, inicialmente agradou no aspecto visual, mas no sabor, assim como o conterrâneo Oreo, exagera no açúcar.

Ficou em terceiro por não ter um sabor tão artificial quanto o outro, mas também não estaria entre as compras de Rafael Protti.

2º lugar: De Las Sierras de Minas

Com 70 anos no mercado, De Las Sierras de Minas é conhecido como o primeiro alfajor do Uruguai (industrializado, provavelmente). Mas faz jus às honras mantendo produtos com um toque artesanal.

Nota-se a diferença na durabilidade deles. Enquanto os dois anteriores tinham validade para um ano, esse deve ser consumido em um mês. E sim, ele realmente mofa se passar da data. Quanto mais fresquinho, mais gostoso ele estará.

Protti ficou impressionado com a aparência e logo disse: “esse é de qualidade!”. O tamanho enganou. Ele não é duplo, mas é alto porque o biscoito que fica entre o recheio é aerado (lembrando um pão de ló), além da camada de doce de leite ser generosa e nada compactada.

Por fora ele é banhado em merengue e é uma combinação perfeita com café. Ficou em um honroso segundo lugar com um: “esse sim eu compraria!”.

1º lugar: Juana La Loca Salsichón

O uruguaio caçula da turma impressionou de cara. Inaugurada em 2018, a empresa se orgulha de ser a inventora do alfajor Salsichon, conhecido no Brasil como salame de chocolate.

Ou seja, duas camadas de chocolate com pedacinhos de biscoito separadas por uma generosa camada de um bom doce de leite e banhados por chocolate um pouco mais amargo que os demais. Foi o campeão. Se é para escolher um industrializado, com certeza esse seria a opção do Rafael Protti.

Versão do alfajor Juana La Loca Salsichón recheado com merengue / Giuliana Nogueira

Como eu tinha mais um alfajor da marca, fiquei curiosa e cheguei em casa para provar. A versão recheada com merengue é igualmente primorosa. Coincidência ou não, os favoritos seguem sendo os uruguaios. Ufa!

Onde comer alfajores artesanais em Montevidéu

Para os desbravadores de alfajores, são paradas obrigatórias o alfajor vegano do República Rotisería. Não subestime os veganos! Ele leva uma equilibrada mousse de chocolate, creme de amendoim, caramelo de missô coberto com chocolate e pistache.

A Culto Café também faz um belo alfajor com biscoito crocante de chocolate recheado com doce de leite e coberto com pedacinhos de amendoim e sal negro.

Quer diversidade com qualidade em um só lugar? A Brava Panaderia, não bastasse ter a minha medialuna com presunto e queijo favorita, está caprichando na produção de alfajores. Do clássico alfajor de maizena, recheado com doce de leite e borda de coco ralado ao de pistache recheado com creme de amendoim e biscoito de baunilha coberto com chocolate branco, todos muito bem preparados.

Na casa há ainda alfajor de chocolate belga com doce de leite e sal marinho; o Nieve, com biscoito de chocolate coberto de merengue e recheado de doce de leite e um vistoso Alfajor Selvagem, feito com biscoito de centeio e linhaça recheado de doce de leite e manteiga de amendoim decorado com granola artesanal.

E se tudo isso não for o suficiente para saciar o apetite por alfajores, hoje não faltam boas cafeterias pela cidade com suas receitas próprias para serem descobertas.

* Os textos publicados pelos Insiders e Colunistas não refletem, necessariamente, a opinião do CNN Viagem & Gastronomia.

Sobre Giuliana Nogueira

Giuliana Nogueira / Acervo pessoal

Giuliana Nogueira é brasileira, psicóloga, fotógrafa e assessora de comunicação. Não é enóloga nem sommelierè, mas é enófila, apaixonada especialmente por vinhos uruguaios e pelo Uruguai. Mantém o Instragram @Instatannat, falando mais de vinhos uruguaios que os próprios uruguaios. Sempre que pode viaja até a terra dos nossos vizinhos, que sabem receber muito bem.


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