Moda em Budapeste: conheça marcas autorais que revelam criatividade húngara
Entre tradição e experimentação, marcas presentes em Budapeste transformam referências da cultura húngara em uma linguagem contemporânea que aproxima arte, design e sustentabilidade

Uma das facetas que mais amo de Budapeste é a capacidade de unir o agito da cidade à criatividade. A arquitetura, o espírito jovem e as tradições repensadas dão vida a uma cena de moda efervescente, com designers que encontram nas roupas, nas bolsas e na arte novas formas de expressar a identidade húngara.
Minha última viagem à Hungria, toda documentada para a 13ª temporada do CNN Viagem & Gastronomia, foi mais uma oportunidade de mergulhar nesse universo fashion. Gosto de observar como a história e a cultura de um país se transformam em linguagem visual, e a capital húngara tem uma energia criativa que dialoga com o rico patrimônio.
A capital é uma vitrine de marcas autorais e de designers independentes, muitos atentos à sustentabilidade. Enquanto algumas grifes resgatam tradições, bordados e referências de séculos passados, outras apostam na experimentação. O que todas têm em comum é uma identidade muito forte, com personalidade e inovação de sobra.
Abaixo, conheça alguns dos nomes da moda húngara que me conquistaram durante minhas viagens pelo país e, quem sabe, te inspirem a encher a mala com algumas peças capazes de fazer inveja por aqui:
Nanushka
Minha marca húngara favorita é a Nanushka, que nasceu em Budapeste em 2005 e, após mais de 20 anos, já atravessou as fronteiras do país. Gosto especialmente da combinação que a etiqueta traz entre peças atemporais, design contemporâneo e materiais de menor impacto. Sob a direção criativa de Sandra Sándor, a marca levou a visão do design da Europa Central para as principais semanas de moda do mundo e hoje está presente em lojas espalhadas em grandes centros, como Nova York, Paris, Londres, Milão e Tóquio.
Em Budapeste, é possível encontrar a Nanushka no Heaven Budapest, na Sas Street, onde a marca mantém um "shop-in-shop", espaço exclusivo da marca dentro de uma loja maior. Ali estão as coleções mais recentes da grife, enquanto o primeiro andar abriga o Archive Sale, com peças de coleções anteriores. Para quem estiver longe da Hungria, não se preocupe: a marca também pode ser encontrada online em varejistas internacionais como Bloomingdale’s, Saks Fifth Avenue, Revolve, Zalando e Farfetch.
Nubu Studio
Outra marca húngara que indico é a Nubu, criada em Budapeste em 2007 por Judit Garam. A grife aposta no minimalismo, com peças versáteis e duradouras que combinam alfaiataria, conforto e funcionalidade. A marca mantém ainda uma proximidade com a arte contemporânea, que se traduz em formas, materiais e detalhes que dão às peças uma identidade que vai além do minimalismo.
A Nubu ganhou projeção internacional ao criar os uniformes sociais da equipe olímpica húngara para os Jogos Olímpicos de Tóquio. Em Budapeste, a marca tem duas lojas: uma na Avenida Andrássy, uma das principais e mais elegantes vias da cidade, conhecida pelas mansões históricas, cafés e lojas de luxo, e outra no Mom Park, shopping na região de Buda.
Kata Szegedi
Se Budapeste tivesse um guarda-roupa próprio, ele provavelmente teria algumas peças de Kata Szegedi. Criada em 2009 pela designer húngara que dá nome à marca, a grife ganhou força na cena contemporânea fashion da cidade e, desde 2015, tem Daniel Benus como co-designer.
Ambos criam o que chamam de "esculturas vestíveis". As coleções partem de referências da própria Budapeste, de arte contemporânea, cultura jovem e vida urbana, misturando influências de streetwear com alfaiataria e linhas geométricas. O resultado são roupas de presença marcante, ideais também para aquele fator "uau" no dia a dia.
No site, é possível encontrar vestidos, calças, jaquetas, casacos, tricôs, tops e bolsas, com destaque para cortes e construções que brincam com volumes, formas e texturas. Em Budapeste, peças podem ser encontradas nas lojas da Spark Le Monde. No Brasil, certos itens podem ser encontrados na Farfetch.
Tomcsanyi
Destaco a Tomcsanyi por ter um olhar interessante sobre slow fashion, transformando referências do cotidiano e da cultura da Hungria em moda. Uma das principais estampas da marca, por exemplo, é inspirada na linha M3 do metrô de Budapeste e na multidão que circula diariamente pelos vagões.
Criada em Budapeste pela designer Dóri Tomcsányi, a grife trabalha com estampas autorais e uma proposta de luxo consciente, combinando uma estética moderna e alegre. As estampas, desenhadas à mão, são o ponto de partida de coleções de vestidos, saias, camisas, calças e macacões. A marca tem uma relação muito forte com a identidade húngara e com o passado do Leste Europeu.
Um diferencial é que a marca trabalha em um modelo "made-to-order", produzindo peças conforme os pedidos chegam. As roupas são confeccionadas no ateliê da marca em Budapeste por uma pequena equipe de costureiras e estudantes. Os tecidos incluem materiais como algodão orgânico e viscose. Os produtos mais recentes podem ser comprados no site.
Zsofi Hidasi
Nascida em Budapeste em 2014 pelas mãos da designer têxtil e curadora de arte Zsófi Hidasi, a marca homônima tem um olhar voltado aos materiais, às superfícies e às técnicas de construção. O resultado é uma linguagem limpa e poética, em que bolsas e acessórios ganham personalidade por meio de detalhes, texturas e combinações para lá de criativas, aproximando a moda do campo da experimentação.
As bolsas têm uma aparência contemporânea e limpa, mas, quando olhamos de perto, revelam um trabalho artesanal com diferentes materiais e técnicas. Algumas superfícies são pintadas à mão e outras recebem texturas e estruturas especiais. Em itens passados, já apareceram referências ao movimento das ondas, à luz, à água e aos efeitos ópticos.
Abodi Transylvania
A Abodi Transylvania é uma das marcas mais interessantes da Europa, cheia de referências góticas e vampirescas em uma linguagem escultórica, traduzindo a ideia de que moda pode ser uma forma de contar histórias. Criada pela designer Dora Abodi, nascida na Transilvânia e criada em Budapeste, a grife tem suas raízes na história, nos mitos e no imaginário da Transilvânia, transformando lendas, folclore e personagens históricos em um universo fantástico.
Um dos exemplos mais interessantes é a Vampire Castle Bag, uma bolsa inspirada nos castelos da Transilvânia, mais especificamente na silhueta do famoso Bran Castle, associado à lenda de Drácula.
A história da bolsa começou com outro objeto. Em 2025, Jaden Smith apareceu no tapete vermelho do Grammy usando um enorme castelo preto sobre a cabeça, criado pela Abodi em colaboração com o fotógrafo e diretor de arte Szilveszter Makó, tornando-se um dos momentos mais comentados da edição do prêmio. Mais recentemente, Olivia Rodrigo usou um vestido da marca na edição de setembro de 2026 da Vogue Filipinas, uma peça feita com renda branca antiga e tratada como uma verdadeira obra de arte.
Agnes Toth
Na fronteira entre moda, artes plásticas e artesanato, a marca da artista e pintora Agnes Toth ganhou vida em 2017. A grife é especializada em bolsas e acessórios bordados, produzidos individualmente e com forte trabalho manual.
O bordado chama a atenção, já que Agnes recupera técnicas tradicionais do artesanato húngaro, especialmente referências aos bordados rurais do século XVIII. Budapeste também aparece como fonte de inspiração, incluindo a Era de Ouro da capital húngara, resgatando elementos de sua história, do folclore e da arquitetura.
Além das peças desenvolvidas pela artista, o ateliê oferece encomendas personalizadas e serviços sob medida.
Printa
Tida como uma das primeiras marcas sustentáveis da Hungria, a Printa reúne em um mesmo endereço, no centro de Budapeste, uma loja de design, uma galeria de arte e um estúdio de serigrafia. Nas roupas, a marca trabalha com uma estética contemporânea e bastante gráfica, com peças femininas, masculinas e infantis. Os itens têm modelagem mais ampla e são acompanhados por estampas que parecem ter saído de uma ilustração.
Tudo é baseado no trabalho com tecidos orgânicos e alternativos, além de materiais vintage e reaproveitados. Já a serigrafia é elemento fundamental da identidade da marca: os desenhos são aplicados manualmente com tintas à base de água, criando peças com uma aparência artesanal e urbana.
Também são vendidos vários acessórios e objetos para a casa, desde bolsas de lona e couro, joias, chapéus e cintos até chaveiros, mapas e itens decorativos. A loja fica na Rumbach Sebestyén utca, 10, no 7º distrito.
Vathy's Corner
Para quem deseja descobrir marcas internacionais em Budapeste, minha dica é a Vathy’s Corner, negócio multimarcas familiar desde 1985. Reúne uma seleção de grifes premium, principalmente italianas e alemãs, que podem ser encontradas nas lojas da família na capital húngara.
A equipe faz uma curadoria das coleções, com marcas como Canali, a.testoni, Jacob Cohen, van Laack, Riani e Luisa Cerano, além de outras grifes europeias. Algumas peças também podem ser ajustadas ou feitas sob medida. A Vathy’s Corner tem duas lojas em Budapeste: uma na Petőfi Sándor utca, no centro de Pest, e outra no Hegyvidék Bevásárlóközpont, na região de Buda.
CNN Viagem & Gastronomia em Budapeste
Assista na íntegra aos programas da 13ª temporada do CNN Viagem & Gastronomia na capital húngara e monte seu roteiro com dicas de onde comer, onde se hospedar e o que ver entre os imperdíveis e os "achados" da cidade:


